O governo do Paraná vai rebater todo o tipo de retaliação que venha a sofrer de São Paulo ou de outro Estado por causa da guerra fiscal, segundo informou ontem o procurador geral do Estado, Joel Coimbra. O anúncio foi uma reação contra a atitude do governo paulista que, ontem, afirmou ter intenção de sobretaxar mercadorias produzidas em fábricas paranaenses que entrem no Estado vizinho. O Paraná não descarta, inclusive, a possibilidade de entrar com uma representação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF).
A nova batalha entre os dois governos explodiu na quarta-feira, quando a Lacta comunicou que iria desativar sua fábrica no bairro de Pinheiros e transferir a produção de chocolates para Curitiba. Com o fechamento previsto para fim de março, ficam sem emprego 350 funcionários em São Paulo. Alguns serão reaproveitados na fábrica que a Lacta tem no bairro do Brooklin.
Pressionado por lideranças sindicais paulistas, o governo reativou seu discurso contra os Estados que concederam incentivos fiscais. Os ataques foram direcionados novamente para o Paraná e sobrou até para Santa Catarina. Na semana passada, a Multibrás – dona das marcas Consul, Brastemp e Semer – anunciou a transferência da fábrica da Brastemp para Joinville (SC), demitindo os metalúrgicos.
No ano passado, quando a Dixie Toga fechou em São Paulo e ficou apenas em Londrina, o governador Mário Covas denunciou irregularidades no programa de incentivos fiscais Paraná Mais Emprego ao Supremo Tribunal Federal. Coimbra informou que o STF negou a liminar. O caso ainda não foi julgado. ‘‘Nosso programa de incentivos está baseado na lei. Damos o que São Paulo dá de benefícios fiscais’’.
O secretário de Governo, Cid Campêlo Filho, prefere colocar panos quentes em cima da polêmica e adota uma postura mais diplomática. ‘‘Faremos como diz o presidente Fernando Henrique. Conversamos, depois tentamos um armistício e por fim, vamos à guerra.’’

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