Curitiba - O governo do Paraná perdeu um pouco mais da minguada participação que ainda tinha na composição acionária da Renault do Brasil, com sede em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Entre os dias 10 e 12 de agosto, a montadora elevou seu capital em cerca de R$ 240 milhões em ações subscritas pela subsidiária da empresa, a Compagnie Financiére pour L'Amerique Latine (Cofal), no lugar do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) que não contribuiu com a injeção de capital.
Com a injeção de recursos, o capital social da empresa avançou de R$ 3,568 bilhões para R$ 3,811 bilhões. A participação de 40% que o FDE tinha na sociedade foi reduzida a menos de 0,48% em 2003, informou o economista Cid Cordeiro do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Segundo Cordeiro, essa participação vem reduzindo ano a ano com os sucessivos prejuízos da montadora no País, sendo o maior deles em 2002. ''Esses prejuízos são normais no início de um empreendimento desse porte'', ressaltou o economista. Além disso, há dois anos que o governo do Estado não participa mais com injeção de capital na montadora.
Conforme o protocolo assinado pela montadora com o então governo Jaime Lerner, em 1996, o Fundo de Desenvolvimento Econômico injetou recursos avaliados em R$ 8,77 milhões em troca de participação no capital social da empresa. Em 2000 essa participação já tinha sido rebaixada para 3,25%, calculou o Dieese. Consta no protocolo que esses recursos devem ser devolvidos somente em junho de 2006 sem o pagamento de juros e de correção monetária, sem contabilizar o pagamento do ICMS.
A Folha tentou, mas não conseguiu contato com o assessor do governo do Estado, o advogado Daniel Godoy. Ele foi encarregado de negociar benefícios para o governo, empresas paranaenses e trabalhadores, na falta de instrumentos jurídicos para recuperar o capital injetado na montadora. O governo chegou a instituir o Conselho de Política Automotiva para construir uma política de nacionalização de peças para a montadora, mas as reuniões não tiveram continuidade. A Folha também entrou em contato com a montadora, que não se manifestou.

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