O governo do Estado, através do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), perdeu R$ 10 milhões com a Renault do Brasil Automóveis. O prejuízo é em decorrência da participação acionária na montadora francesa, que está em processo de instalação em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba). O balanço da empresa aponta um prejuízo total de R$ 25,8 milhões, durante o ano passado. O governo avaliou como ‘‘normal’’ o resultado para uma empresa que ainda não começou a produzir.
O prejuízo de R$ 10 milhões representa os 40% da participação acionária do governo. O FDE detém R$ 19,9 milhões das ações preferenciais (sem direito a voto) da Renault do Brasil Automóveis. As ações foram compradas com receita do próprio fundo. Os outros 60% estão em poder das empresas estrangeiras da Renault, que são a Renault S.A. e a Renault Developpment Industrial (RDI).
O secretário da Fazenda, Miguel Salomão, disse que os números negativos não preocupam. ‘‘Toda empresa em fase de instalação dá prejuízo’’, afirmou o secretário. Ele aposta numa recuperação dos resultados para os próximos anos. Segundo Salomão, querer um resultado positivo seria o mesmo que esperar a ‘‘colheita antes do plantio’’. Salomão garantiu que os números não afetam a contabilidade do FDE. Ele lembrou que a Fiat teve 10 anos de prejuízo e o governo de Minas Gerais também tinha ações da montadora.
O balanço da Renault foi publicado no dia 9, no Diário Oficial do Estado. A Folha pediu ao consultor Taras Savytzky que fizesse uma análise do balanço da montadora. Professor aposentado do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Paraná, Savytzky é especialista em análise de balanço.
Segundo o professor, a empresa Renault Comercial do Brasil (RCdB) foi a principal responsável pelo prejuízo da montadora. A RCdB, representada pelo grupo Caoa, teve um passivo a descoberto de R$ 24,3 milhões. O passivo a descoberto acontece quando a empresa tem um prejuízo maior que o seu patrimônio. O restante do resultado negativo vem de despesas comerciais e administrativas. O prejuízo por ação é de R$ 0,50.
‘‘Em uma rápida análise, dá para perceber que a situação financeira a curto prazo é boa para a Renault, porque há duplicatas a receber’’, afirmou Savytzky. Ele se refere aos R$ 43,5 milhões, que a RCdB tem para repassar a montadora. Mas alertou para o fato de a empresa ter dado prejuízo, dificultando a possibilidade de pagar as duplicatas.

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