Governo diz que vai manter o Moderfrota
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, garantiu ontem, em Cascavel, a manutenção do programa de Modernização da Frota de Tratores e Máquinas Agrícolas (Moderfrota). O ministro esteve visitando o Centro Tecnológico, onde acontecia a 15 edição do Show Rural Coopavel e se encontrou com o secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti, e outras autoridades.
Rodrigues declarou que até a próxima semana haverá uma definição sobre o Moderfrota, pois ''a modernização da frota é fundamental para eliminar os desperdícios na agricultura''. O programa, que está suspenso desde o final do ano passado, é considerado fundamental para a contínua renovação da frota no setor agrícola. Apenas em janeiro, em razão da suspensão do programa, houve uma redução de 40% na venda de maquinários em relação ao mesmo período de 2002.
Rodrigues disse, porém, que o programa sofrerá algumas alterações, entre elas um provável aumento da taxa de juros, antes fixada em 8,75%. A possível elevação dos juros está relacionado ao aumento da Selic de 25,5% para 26,5%, anunciada esta semana pelo Conselho de Política Monetária (Copom).
Além disso, segundo o ministro, haverá uma redução no prazo máximo para financiamento. Ele explicou que quanto maior o prazo, mais recursos são demandados do Tesouro Nacional para compensação da taxa de juros utilizada pelo sistema financeiro para o programa. Outra mudança é a redução do limite para pequenos produtores. ''Queremos uma presença mais forte do Moderfrota junto ao pequeno produtor'', completa.
Rodrigues ressaltou ainda a reativação do Conselho Nacional do Agronegócio (Consagro), aprovado anteontem, durante reunião de segmentos do governo federal e da iniciativa privada. Ele garantiu que toda cadeia produtiva estará representada nas câmaras setoriais que serão criadas para discutir propostas que contribuam para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Para o ministro, não existe um só segmento da atividade rural em que o produto brasileiro não seja competitivo no mercado internacional. Ele observou, porém, que medidas tomadas por grandes potências mundiais, como o protecionismo, dificultam a concorrência. Rodrigues adiantou que o governo brasileiro já está tomando providências na tentativa de tornar o mercado externo mais igualitário.
Entre as medidas a serem tomadas, está a abertura de dois painéis na Organização Mundial do Comércio (OMC). Um contra o protecionismo norte-americano em relação ao algodão e outro contra os subsídios dados por países da União Européia ao açúcar. O ministro acrescentou que o painel do algodão será aberto em 15 dias, e o outro em, no máximo, 60 dias. ''Países como a Austrália querem entrar junto ao Brasil no painel do açúcar. O protecionismo europeu afeta a economia interna e nossos produtores'', lamentou.


