Governo diz que tomou a iniciativa de
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quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O governo do Estado chamou ontem às pressas uma entrevista coletiva para contestar as declarações da diretora do Banco Central, Teresa Grossi, que acusou anteontem a diretoria da Banestado Leasing de ter implantado um esquema de corrupção no banco. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, afirmou que o governo soube de todo o escândalo da Leasing e por isso tomou a iniciativa de encaminhar o processo ao Ministério Público. Foi o governo que pediu a quebra do sigilo bancário dos diretores e funcionários, disse.
Segundo o secretário, as colocações de Teresa Grossi não trouxeram novidades, pois todo o caso já foi debatido no Estado e se encontra hoje sob investigação do Ministério Público e, em algumas situações, com denúncia oferecida à Justiça. Há dois meses, o Ministério Público federal e estadual denunciaram três das 33 empresas que teriam se beneficiado com financiamentos irregulares da Leasing. As empresas Amorin Sergipe Transporte, Rápido Laser e Habitacional Construção são de Sergipe e, uma delas, a Habitacional, pertence ao ex-governador do Estado João Alves (PFL). As outras duas seriam de um genro de Alves.
Gionédis afirmou que alguns funcionários acusados de desviar R$ 4 milhões já foram penalizados com o sequestro de bens. Ele isentou de culpa, no entanto, o então diretor presidente da Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos, denunciado como um dos cabeças do esquema que garantiu às empresas R$ 267 milhões em financiamentos de leasing, mediante pagamento de propina ou tráfico de influências. Na época, o Osvaldo abriu seu sigilo bancário e nada foi encontrado, afirmou o secretário. Osvaldo Magalhães morreu em acidente automobilístico, em setembro de 1998, quando era secretário de Esporte e Turismo. Ele era filho do deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL), que emprestou seu endereço comercial para a empresa do ex-governador de Sergipe.
O secretário da Fazenda garantiu ainda que o governador Jaimer Lerner (PFL) em nenhum momento soube das falcatruas ocorridas na Leasing. Lerner conhece João Alves desde a década de 70, quando fez um projeto urbanístico para Aracaju, capital de Sergipe.


