Governo diz que inflação foi surto e faz projeção otimista
Agência Estado
De Brasília
O governo traçou um cenário otimista para a inflação ao longo dos próximos meses, no Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, divulgado ontem pelo secretário de Política Econômica, Edward Amadeo. Mesmo admitindo que os índices registrados nas últimas semanas tiveram fôlego maior do que o esperado e admitindo a possibilidade de remarcações de curta duração em função das vendas de Natal, o governo aposta na queda dos índices, sobretudo na virada do ano.
Não há perigo de repique da inflação em dezembro, pois os problemas que tivemos recentemente têm relação com a entressafra agrícola, que foi rigorosa, disse o secretário. Com a normalização das chuvas, os preços de alimentos já começaram a cair, explicou. Na sua avaliação, o ingresso da safra agrícola no início de 2000 poderá até provocar deflação nos índices de preços de produtos agropecuários. Cálculos da Secretaria de Política Econômica (SPE) apontam para a possibilidade de os preços de produtos agropecuários terem deflação de 4% a 6% mensais em janeiro, fevereiro e março de 2000.
O secretário disse que a inflação registrada nas últimas semanas foi um surto provocado por diversos fatores cujos efeitos já estão sendo superados. Além da entressafra, pesaram na inflação as tarifas e o impacto da alta do dólar sobre preços, sobretudo de atacado. Na discussão sobre inflação, ficou clara a diferença entre uma inflação permanente, caracterizada por aumentos generalizados do nível geral de preços decorrente de pressões de demanda e/ou indexação, e uma inflação transitória, resultado de choques negativos de oferta delimitados e que não comportam um movimento que tenda a se perpetuar, analisou.
É a alta dos preços agrícolas, pressionada pela entressafra rigorosa, que explica o fato de a cesta básica estar mais cara do que um salário mínimo, pela primeira vez desde que o mínimo foi fixado em R$ 136,00. Amadeo explicou que, com a entrada da safra, a partir de janeiro, o preço da cesta já deverá ter queda.
Em sua análise sobre a inflação, a SPE destacou, ainda, o peso das tarifas públicas. A gasolina registrou aumento de 62% no ano, enquanto o gás de cozinha subiu entre 38% e 42%. Para 2000, informam os técnicos, os analistas de mercado esperam queda no preço internacional do petróleo que, aliada à valorização do real ante o dólar, deverá resultar em pressão menor sobre a inflação.
No caso da energia elétrica, o reajuste médio de janeiro a outubro chegou a 17,3%, contra uma inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 7,27%. No ano que vem, segundo a análise dos técnicos, os reajustes deverão ficar 50% menores do que os registrados neste ano.





