O governo do Estado defende a privatização da Copel como única saída para que a empresa não perca competitividade no setor energético nacional. O País passa por um processo de desregulamentação da energia elétrica que culminará com a abertura total do mercado, até 2005. Um consumidor que more no Paraná, por exemplo, poderá comprar a eletricidade que usa em casa da companhia do Ceará ou do Rio de Janeiro. Diante desse cenário, o governo federal tem pressionado os Estados a se desfazerem de suas companhias energéticas, alegando que o mercado agora é de competição entre grupos privados.
O governo do Estado aceitou os argumentos nacionais e diz que não há outra saída. Segundo o presidente da Copel, Ingo Hubert, as estatais estão condenadas a perder a competição e isso representará redução da clientela final e prejuízos futuros.
O presidente da Copel alerta para a pressão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que não libera mais financiamentos para as estatais. As empresas privadas conseguem dinheiro barato do banco e podem investir em seus projetos de crescimento. Outro empecilho é a lei de 8.666, que obriga os Poderes Públicos a fazer licitação para contratar qualquer tipo de serviço, enquanto os grupos privados podem ter os serviços ou produtos que necessitam em poucos dias e por preços mais baratos. Ingo Hubert alega que a Lei de Licitações engessa e torna moroso cada processo para uma simples compra de material.
As empresas estatais no País estão impedidas ainda de participar do mercado de capitais devido à exigência do Conselho Monetário Nacional e Banco Central. A Copel conseguiu colocar parte de suas ações na Bolsa e até em Nova York, mas não poderia atuar como negociadora nem ampliar a participação. Isso tira a competitividade. O governo diz ainda que as empresas privadas podem se unir até o limite de 20% do mercado, enquanto as estatais não podem comprar novos ativos.
A perda da competição ocorreria pela crescente dificuldade imposta pela lei em relação à captação de recursos para investimento e pela total desregulamentação do mercado. Em recente entrevista o governador Jaime Lerner admitiu que a venda da Copel se dá muito mais pela pressão da nova política do setor energético do que pela vontade do governo. (C.M.)

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