Brasília - O governo está preocupado com a alta das cotações do petróleo no mercado externo, mas acredita que não há motivos, por enquanto, para temer pelos seus efeitos na economia brasileira. O assunto foi um dos temas da reunião de ontem do presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Planejamento, Guilherme Dias, da Casa Civil, Pedro Parente, e da Secretaria-Geral da Presidência, Euclides Scalco.
Ao deixar o encontro, Scalco informou que Malan fez uma análise sobre a conjuntura internacional e sobre os seus possíveis reflexos na economia nacional. Segundo Scalco, Malan disse que, apesar da indefinição do cenário, a situação do País é tranquila e, embora haja uma certa preocupação com os desdobramentos da crise no Oriente Médio, a alta nos preços do petróleo não deve comprometer as metas inflacionárias. Procurado, Malan não quis comentar o assunto.
Uma fonte que teve acesso à reunião confirmou que o governo acompanha o assunto com a atenção, mas disse que não há intenção de modificar o atual sistema de reajustes dos derivados – ou sistema de ‘‘gatilho’’, pelo qual a Petrobras aumenta os preços de acordo com as cotações internacionais do petróleo. ‘‘Não podemos impor prejuízos à Petrobras’’, disse.
Para um assessor da área econômica, é difícil fazer prognósticos, nesse momento, sobre a evolução do mercado de petróleo. Ele lembrou que a maioria dos analistas concorda que a elevação atual das cotações decorre muito mais de componentes políticos, derivados do conflito aberto no Oriente Médio, do que de fundamentos econômicos.
Segundo essa fonte, há hoje no mundo uma capacidade instalada, não utilizada, de 7 milhões de barris diários de petróleo. Essa oferta potencial poderia ser usada e ajudar a equilibrar o mercado em caso de agravamento da crise. Por outro lado, lembrou, a chegada do verão no hemisfério norte deve ajudar a reduzir o consumo do produto.

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