O Banco Central desmentiu ontem a agência de avaliação de risco de investimentos (rating) Standard&Poor's, que havia estimado em US$ 80 bilhões a necessidade de financiamento externo do Brasil no próximo ano. Dois diretores do banco, Ilan Goldfajn, de Política Econômica, e Daniel Gleizer, de Assuntos Internacionais, convocaram uma entrevista coletiva ontem à tarde para afirmar que a necessidade real de financiamento do País em 2002 é de US$ 47,4 bilhões, ou seja, 40% a menos que o que prevê a agência.
''Eles cometeram um erro'', disse Gleizer. O diretor explicou que a agência somou o estoque de comércio de curto prazo, que realmente está em torno de US$ 30 bilhões, às necessidades de financiamento do balanço de pagamentos. ''Não se coloca estoque de curto prazo no balanço de pagamentos'', argumentou. De acordo com Gleizer esse procedimento não é apropriado porque o curto prazo é naturalmente rolado, ou seja, o exportador paga uma linha e pega imediatamente outra. ''Seria o mesmo que dizer que não teríamos comércio no ano que vem'', ponderou.
A Standard&Poor's, citada nominalmente pelos dois diretores, não foi a única agência que vem divulgando dados considerados discrepantes pelo governo sobre o Brasil. ''Esses números enormes, que circulam por aí, não são fidedignos'', disse Gleizer. Ele e Goldfajn declararam que o Banco Central sempre divulga suas projeções no final do ano, mas que, tendo em vista a necessidade de colocar um mínimo de ordem nos números que vêm sendo divulgados, o governo achou por bem antecipar a divulgação das suas projeções. ''Resolvemos apressar um pouquinho'', admitiu Goldfajn.

mockup