O governo divulga hoje - dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo da França - o preço mínimo de venda das empresas do sistema Telebrás. O anúncio será feito às 9h, quando a população já estará em clima de ‘‘concentração’’ para o jogo contra a Escócia, marcado para as 12h30 (horário de Brasília). A expectativa é que o preço seja muito inferior às cifras alardeadas pelo então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, morto em abril.
O atual titular da pasta, Luiz Carlos Mendonça de Barros, passou os últimos dez dias preparando a opinião pública para não se decepcionar com o preço que será anunciado. E não é para menos: Motta chegou a falar em R$ 40 bilhões. A expectativa é que o preço será um terço disso.
Uma retrospectiva do que foi dito pelo governo, nesses três anos de gestão tucana, em relação à venda do sistema Telebrás, mostra que o ministério superestimou o valor das empresas, às quais Motta se referia como ‘‘minas do rei Salomão’’ e ‘‘jóias da Coroa’’.
Em março do ano passado, Motta anunciou que a venda da Telebrás renderia R$ 30 bilhões ao Tesouro. Seu então secretário-executivo, Renato Guerreiro, destrinchou o número. Disse que R$ 12 bilhões viriam da venda da Embratel e que os outros R$ 18 bilhões seriam obtidos com a privatização da rede de telefonia fixa e do serviço celular estatal.
A partir daí, a privatização das teles ficou associada a essa cifra, embora não existisse nenhuma avaliação criteriosa do valor de venda da empresa. Esse trabalho só foi feito agora, por consultorias contratadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Quando os consultores entregaram seus relatórios, o governo percebeu quão fantasiosas foram as cifras estimadas até então, e o ministro começou a divulgar, antecipadamente, os fatores que levaram à desvalorização das teles.
O próprio Mendonça de Barros alimentou a fantasia em torno do valor da Telebrás. No mês passado, disse que a privatização das teles renderia R$ 21 bilhões ao Tesouro. Um repórter perguntou-lhe por que sua previsão era menor do que os R$ 30 bilhões citados por Motta, e ele respondeu: ‘‘Ele tinha um otimismo que eu gostaria de ter. Eu sou mais realista’’.
A expectativa de arrecadação caiu, apesar de o governo ter definido o modelo de venda tendo a arrecadação como principal objetivo. ‘‘Quanto mais arrecadar, melhor. Não é porque eu quis. É política do governo’’, declarou Motta, em outubro do ano passado, durante seminário com executivos da Telebrás.
Em prol de arrecadar o máximo possível, o governo abriu mão de três princípios citados publicamente por Motta: limitação do capital estrangeiro no grupo de controle das teles, restrição à participação dos grandes usuários na compra da Embratel e a venda pulverizada das ações.

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