Governo discutirá salário mínimo
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Isabel Sobral<br> Agência Estado 
Brasília - O governo vai convocar empresários e trabalhadores para iniciar em outubro a elaboração de uma política de recuperação gradual do valor do salário mínimo. De acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, a intenção é buscar uma fórmula que permita dar aumentos reais para o mínimo, considerando o potencial crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da produtividade do País, além das contas públicas, em particular da Previdência Social.
Ontem, o ministro discutiu o assunto com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, e acertou a realização de uma primeira reunião conjunta no mês que vem. ''Trouxemos essa proposta para iniciar logo essa discussão ou iremos ver se repetir a novela do salário mínimo'', defendeu Marinho.
Já considerando as projeções de crescimento da economia em 2005, a proposta orçamentária do governo para o ano que vem inclui uma elevação do salário mínimo dos atuais R$ 260 para R$ 281,29 em maio. Essa projeção incorpora um aumento real (acima da inflação) de 2,5%. ''A idéia é mandarmos, ainda este ano, um projeto nesse sentido ao Congresso Nacional'', disse o ministro.
Segundo Marinho, a CUT quer o início do debate agora e não apenas nos meses que antecedem o reajuste do valor do mínimo. Ele disse que a central pretende levar para a mesa de negociações a proposta, já apresentada este ano, que prevê uma recuperação do mínimo num prazo de 20 anos, podendo levar o valor a cerca de R$ 1,5 mil no final desse período.
Ele lembrou que a criticada proposta da CUT de ''negociação social'' entre os vários segmentos da economia tem esse objetivo, e não significa a idéia de um pacto social nos moldes dos ano 80, com intervenção forte do Estado e congelamentos de preços. ''Queremos encontrar formas de superar os gargalos da economia e promover um choque de produção e não romper com a política econômica'', disse Marinho.


