Governo discute alternativa ao etanol
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Gustavo Porto
Agência Estado
São Paulo - Exemplo na produção e consumo de etanol hidratado em larga escala e ambientalmente correto, o Brasil corre o risco de reverter esse ganho caso o governo aceite a proposta de substituir o combustível feito 100% com cana-de-açúcar pelo chamado E85. Em vez de álcool puro, o E85 é uma mistura de 85% de etanol anidro e 15% de correntes intermediárias de gasolina, ou seja, um derivado de petróleo de menor qualidade.
A proposta é discutida na chamada "Sala do Etanol" do Ministério de Minas e Energia por representantes do governo, distribuidoras e Petrobras, que defendem a nova mistura, e pelos produtores de etanol, contrários ao E85. A ideia é padronizar a produção do etanol brasileiro em anidro, que hoje já é misturado à gasolina em 25%. Assim, o abastecimento dos carros seria dividido entre o novo E85, em lugar do etanol hidratado, e a manutenção da já utilizada gasolina C, mistura de gasolina A (pura) com 25% de etanol anidro.
Um documento obtido pela reportagem mostra que a questão principal para a Petrobras discutir a mudança para o E85 é financeira. Com um rombo nos cofres após disparada na importação de gasolina A (pura), que deve atingir o recorde de US$ 10 bilhões em 2013, o dobro da média histórica, a estatal deu aval ao novo combustível. O documento justifica que uso do E85 elevaria em 15% o consumo de etanol e também geraria economia no uso da gasolina pura. Com isso, a importação de gasolina de baixa octanagem reduziria a compra externa de gasolina pura, mais cara, e aliviaria o caixa da empresa.
Segundo fontes do setor, a mudança na matriz de combustíveis evitaria também problemas logísticos à estatal, diante da estimativa de alta na importação de gasolina pura. Procurada, a Petrobras informou que não vai comentar o assunto.
Principal prejudicada com a proposta, a indústria sucroalcooleira informou, pela assessoria da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que o assunto E85 "não está mais em pauta, que a proposta foi descartada e a posição fechada pela entidade" é contrária à mudança. Outra proposta, de aumentar a mistura do anidro à gasolina de 25% para 30%, também teria sido descartada. Já o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) avalia, em estudo, que o E85 traria menor volatilidade entre os preços da gasolina e o etanol, maior previsibilidade de demanda e uma maior segurança no abastecimento.


