Governo Dilma terá inflação acima da meta
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sábado, 09 de julho de 2011
Francisco Carlos de Assis <br>Agência Estado 
São Paulo - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)ficará acima da meta (6,5%) ao longo dos quatro anos do governo da presidente Dilma Rousseff, prevê a MB Associados. ''Trabalhamos com o IPCA fechando acima da meta de inflação no governo Dilma inteiro'', disse o economista-chefe da instituição, Sérgio Vale, ao comentar a taxa de inflação de 0,15% do IPCA em junho e a deflação de 0,13% mostrada pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), também de junho.
Para Vale, o que poderia evitar que o seu prognóstico se confirme seria um ajuste muito forte na economia internacional ou uma mudança na política monetária do BC, que até agora tem elevado a taxa Selic gradualmente, em 0,25 ponto porcentual. Vale alerta que a autoridade monetária já deveria ter aumentado a Selic em 0,50 ponto porcentual no final do ano passado.
Para o economista, a diferença entre as variações do IPCA e a do IGP-DI em junho está na queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis e também na elevação dos preços dos serviços. Nos IGPs, os preços do atacado respondem por 60% dos indicadores, sendo que o atacado é intensivo em commodities, que no momento estão com os preços recuando no mercado internacional. Nestes indicadores, o peso dos serviços é muito pequeno. Já os preços dos serviços, que vêm apresentando movimentos fortes de alta neste ano, respondem por 30% dos indicadores de preços ao consumidor.
''Se pegarmos o IPC dos IGPs, o cenário é pouca coisa melhor que no IPCA, mais por conta da metodologia de coleta e cálculo dos dados'', compara Vale, alertando para o fato de que mesmo dentro dos IPCs e dos IGPs o sinal é ruim. Segundo o chefe do Departamento Econômico da MB Associados, a queda de 0,18% do IPC-DI em junho se deu por conta das variações negativas de alimentação e combustíveis.
Outro ponto observado por Vale na sua avaliação sobre o comportamento da inflação é o que diz respeito às baixas taxas da inflação no trimestre junho, julho e agosto, que no ano passado foram menores que as estão se consolidando neste ano. No ano passado, o IPCA fechou com taxa zero em junho; 0,01%, em julho e em 0,04% em agosto. A estabilidade dos preços naquele período levou o Banco Central a interromper as altas da taxa de juros. Neste ano, só estão disponíveis as variações do IPCA de junho (0,15%) ante zero no mesmo mês do ano passado.
Segundo Vale, ocorre que tanto em 2010 como neste ano houve redução nos preços das commodities. ''A diferença é que neste ano o restante da inflação está mais pressionado e no ano passado havia forte expectativa de crescimento da muito forte, mas neste ano tem o acúmulo do crescimento, que influencia a inflação'', afirma o economista, acrescentando que sobre o crescimento de 7,5% do PIB em 2010 soma-se a expansão que vai levar a economia a se expandir à razão de 4% neste ano.
Para se ter uma ideia do quanto a inflação além de alimentos e combustíveis está pressionada neste ano, em 12 meses terminados em junho a inflação do segmento de serviços acumula alta de 8,7% ante 6,8% no acumulado de 12 meses encerrados em junho do ano passado. ''Quer dizer que são quase 2 pontos porcentuais sobre um indicador associado à demanda e movido pelo emprego e renda'', analisa Vale. Para ele, o BC tem que olhar para esta situação por se trata de um indicador de pouca concorrência e alto grau de indexação.


