Governo deve sacar US$ 9 bilhões do FMI
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segunda-feira, 05 de maio de 2003
Priscilla Murphy Renato Andradee Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - O País deverá sacar os cerca de US$ 9 bilhões da próxima parcela do empréstimo concedido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). ''Não há por que não fazê-lo'', disse ontem o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, depois de uma reunião com a missão do Fundo no Ministério da Fazenda. Segundo Palocci, a terceira revisão é importante porque o acordo é de grande porte e um dos maiores que o FMI tem no mundo. ''O relacionamento com o Fundo é extremamente positivo. Não estamos nos prendendo em coisas de varejo, mas em grandes projetos'', afirmou.
Depois do primeiro encontro com a equipe econômica, a missão do FMI deixou o ministério elogiando as propostas das reformas da Previdência e tributária, assim como a política econômica do governo em geral. ''São propostas muito importantes para melhorar a eficiência da economia brasileira'', disse o diretor-adjunto do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Jorge Ruarte. A missão do Fundo chegou ao País para a terceira revisão do acordo de US$ 31,4 bilhões aprovado no ano passado. Se tudo correr bem, o Brasil poderá sacar os novos recursos no mês que vem.
Sobre a possibilidade de saque dos US$ 9 bilhões, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apenas comentou que a decisão será tomada no momento adequado e ressaltou que não definiria como necessário o saque dos recursos. Ele comentou ainda que o saque daria maior segurança e maior tranquilidade ao mercado, mas lembrou que também há custos fiscais envolvidos na decisão de sacar os recursos, na medida em que eles precisam ser pagos ao Fundo.
Palocci disse que a exposição que os técnicos do governo farão sobre o andamento das reformas será suficiente para que o Fundo dê continuidade formal ao programa firmado com o Brasil. Palocci disse ainda que não foi discutida com os técnicos do FMI nenhuma questão específica em relação ao dólar. ''Discutimos metas e as reformas'', afirmou. ''De fato, está claro para todos que os compromissos do presidente Lula em relação às reformas estão sendo feitos de maneira ordenada e até em prazos mais curtos do que o previsto'', afirmou.
Para Ruarte, o mais importante é que o governo já apresentou as propostas e discutiu os temas com vários setores da sociedade. ''O governo tem mostrado muita coragem, muita visão e perícia em como levar as reformas adiante'', disse. Na avaliação de Ruarte, o governo conta com o apoio do Congresso para aprovar as duas propostas e deve continuar seguindo a linha que vem sendo adotada até agora. ''O melhor para o governo é continuar sua política'', salientou.


