A TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) deve ser reduzida de 11% para 10% anuais na próxima semana. Em discussão há algumas semanas, essa proposta será votada na reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), que acontece em 28 de junho.
A redução dessa taxa, segundo apurou a reportagem, é uma consequência da queda nos juros básicos da economia, que foram reduzidos pelo Banco Central de 18,5% para 17,5% a partir de ontem.
Criada para diminuir o custo dos financiamentos feitos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao setor produtivo, a TJLP caiu de 12% para 11% há três meses. O diretor da Área Financeira e Internacional do BNDES, Isac Zagury, disse que a diminuição da taxa básica reflete a redução do ‘‘risco Brasil’’, um dos componentes de formação da TJLP. O outro componente é a expectativa de inflação.
Ontem, o consultor do Banco Central, Sérgio Goldstein, explicou que a redução da taxa básica representa uma economia no pagamento dos encargos da dívida interna que são corrigidas por essa taxa. Em maio, essa parcela da dívida chegou a 54,88% de um total de R$ 487,1 bilhões.
Outro ponto positivo da redução é o aquecimento dos negócios com títulos prefixados (que têm correção definida no momento da compra do título). Segundo Goldstein, nas novas colocações de papéis prefixados, a taxa paga pelo governo deverá cair.
O consultor do BC informou que, nos primeiros 15 dias de junho, os negócios com LTNs (Letras do Tesouro Nacional, que são prefixadas), que estavam estagnados, cresceram no mercado secundário. Nesse mercado, há uma renegociação de títulos públicos e privados antes de seu vencimento. O aumento dessas operações reduz o prêmio de risco embutido nas taxas de juros porque as instituições têm mais facilidade de repassar os seus títulos para outras instituições.
Em maio, as negociações com LTNs passaram de um volume diário de R$ 3,2 bilhões (abril) para R$ 2,9 bilhões. O volume total das negociações diárias no mercado secundário foi de R$ 9,2 bilhões em média. ‘‘Até o dia 15 de junho, o volume diário de negociações no mercado secundário era superior a R$ 11 bilhões, o que é um recorde histórico’’, afirmou Goldstein.
Com a melhora das expectativas dos agentes financeiros em relação aos rumos da economia internacional, ficará mais fácil para o governo contornar o problema do grande vencimento de títulos públicos no mês de agosto. Em julho, estão vencendo R$ 17,2 bilhões da dívida interna. Em agosto, o vencimento será de R$ 34,3 bilhões, sendo que apenas no dia 30 de agosto acontecerá um vencimento de R$ 9,5 bilhões, a maior parte em LTNs. Para evitar problemas na rolagem dessa dívida, o Tesouro Nacional terá de fazer leilões de compra antecipada desses títulos nas próximas semanas.

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