Governo deve liberar R$ 25 mi ao Paraná
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná vai receber R$ 25 milhões do governo federal como auxílio contra a seca que atingiu o Estado. Os recursos deverão ser destinados prioritariamente para famílias de agricultores de 27 municípios da região de Francisco Beltrão, no sudoeste, as mais atingidas pela estiagem. Famílias de outros municípios atingidos nas regiões sudoeste e oeste do Estado terão seu enquadramento avaliado caso a caso.
Na última sexta-feira, o ministro Miguel Rosseto, do Desenvolvimento Agrário, anunciou que vai liberar R$ 187 milhões para as famílias de agricultores prejudicados pela seca nos três estados da Região Sul e Mato Grosso do Sul. Desse total, R$ 80 milhões serão liberados antecipadamente para financiar a safra de inverno, antes dos agricultores quitarem dívidas com a safra de verão. Cerca de R$ 107 milhões serão aplicados em medidas adicionais de auxílio aos agricultores.
Conforme projeção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, são aproximadamente 180 mil famílias de agricultores e de assentados do plano de reforma agrária nos quatro estados que tiveram perdas superiores a 50% nas culturas de milho, feijão, soja, hortifrutigranjeiros e na bovinocultura de leite. Esses agricultores estão localizados em 350 municípios e envolvem em torno de 120 mil contratos de Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com valores médios de R$ 2,5 mil por família.
Nas medidas adicionais, o Ministério do Desenvolvimento Agrário prevê o alongamento dos prazos para pagamento do custeio pecuário, em até 12 meses. Para quem teve perdas acima de 50% em suas lavouras, os agricultores terão um desconto de R$ 500 nos contratos de financiamento do Pronaf, que somados aos R$ 200 a que normalmente têm direito, o valor do desconto pode atingir até R$ 700, prorrogado para um ano após o vencimento da última parcela pactuada.
O ministério pretende ainda liberar uma ajuda emergencial no valor de R$ 300 para os agricultores familiares que se encontram em dificuldade de subsistência, nos municípios que decretaram estado de emergência ou calamidade pública, reconhecidos pelo governo federal.
A preocupação dos agricultores é saber se o governo vai liberar essas medidas rapidamente já que a situação é de emergência mesmo, disse o secretário de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Mario Plesk. Ele critica o governo federal na medida que a ajuda está sendo direcionada principalmente aos agricultores amparados pelo Pronaf e que têm direito ao Proagro (seguro agrícola). ''E os agricultores que plantaram com recursos próprios para não se endividarem no banco, como ficam?'', perguntou.
Levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, aponta que só na microrregião de Francisco Beltrão foram registradas perdas de 40% na safra de soja normal, 40% na soja safrinha, 15% na safra normal de milho, 80% do milho safrinha, 50% na produção de leite, 90% na produção de arroz e 65% na produção de feijão da seca.


