Governo deve intervir na comercialização do trigo
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Vânia Casado <br> De Curitiba 
Se o governo intervir na comercialização do trigo, como prometeu o secretário nacional de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, as vendas vão começar a fluir. Este era o consenso na reunião de ontem, na Ocepar, com representantes da Cadeia Produtiva do Trigo.
Espírito Santo acenou na reunião com a possibilidade de o governo lançar contratos de opção para o mês de novembro. ''O governo tem recursos orçamentários para compra de 600 mil t de trigo este ano'', anunciou. O contrato de opção é um título que o governo lança no mercado, que confirma a sua disposição em comprar a safra por um determinado preço, no período fixado.
Se naquele período o mercado pagar mais pelo produto, o produtor vende o trigo no mercado. Se o preço de mercado for inferior ao fixado no contrato, o governo assume a compra da safra.
Espírito Santo ficou irritado com o que constatou no Paraná. Ele disse que este ano esperava que a comercialização de trigo não tivesse problemas em função da escalada do dólar.
''A valorização cambial deveria estimular os moinhos para a compra da produção nacional, que este ano é de excelente qualidade'', afirmou. Não é o que viu por aqui. A comercialização está emperrada e os poucos moinhos que estão comprando, estão oferecendo preços muito baixos. ''Acho que algumas indústrias estão tirando proveito da atual situação que é de oferta de produto'', disparou.
Além dos contratos de opção, a superintendência do Banco do Brasil anunciou a disposição do banco em atender indústrias e produtores com recursos para EGF (Empréstimos do Governo Federal). Com esses recursos, cuja taxa de juros é de 8,75% ao ano, produtores e indústrias se capitalizam para carregar os estoques.
Segundo o superintendente adjunto do BB, Sandro José Franco, o banco tem disponível entre R$ 25 milhões a R$ 30 milhões para EGF. Franco condicionou a concessão dos financiamentos à aprovação de cadastro. Ele estima que seriam necessários pelo menos o dobro disso, para atender o financiamento de um terço da safra que não foi vendida, em torno de 1,5 milhão de toneladas.
Para o lançamento oficial dos contratos de opção, falta fixar o preço que agrade produtores e indústrias. Atualmente os poucos moinhos que estão comprando trigo no mercado estão ofertando R$ 250,00 a tonelada, um preço considerado absurdo pelos produtores porque cobre apenas os custos de produção. Os produtores querem receber no mínimo R$ 300,00 por t, disse João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar.
Segundo Koslovski, os moinhos deveriam pagar no mínimo o que estão pagando para importar o trigo da Argentina, que está sendo internalizado por R$ 358,00 a t, computando todos os custos de importação. Para o diretor da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o governo deve monitorar bem o valor a ser fixado nos contratos de opção.
O presidente da Abitrigo, Roland Gouth, disse que é uma questão de tempo a volta dos moinhos ao mercado, em função da nova escalada de aumento do dólar. Gouth salientou que a indústria não tem condições de absorver a safra na velocidade que o produtor deseja e que está descapitalizada para bancar o carregamento de estoques.


