O trigo que começa a ser colhido no Paraná está superando todas as previsões de produção e produtividade dos últimos anos. Estão sendo colhidos 1,9 milhão de toneladas, uma safra 16% maior do que a do ano passado, quando foram colhidos 1,62 milhão de toneladas. A produtividade também é recorde e deve ficar em quase 2.000 kg/ha. Em anos bons para a cultura de trigo no Paraná, a média histórica é de 1.750 kg/ha.
Apesar da safra recorde, os produtores estão insatisfeitos. Os preços do produto despencam abaixo do preço mínimo e os negócios estão parados. Os moinhos estão comprando o trigo argentino, que está cotado em US$ 108 a tonelada, segundo a Conab, e estão na expectativa de que o governo adote algum instrumento de comercialização para reativar o mercado. Os produtores, por sua vez, também estão aguardando a adoção imediata de instrumentos de comercialiação como o PEP (Prêmio de Escoamento da Produção) ou AGF (Aquisição do Governo Federal), que garantem o pagamento do preço mínimo.
Em Maringá Essa reivindicação será feita quinta-feira, por produtores e cooperativas em reunião patrocinada pela Ocepar, na sede da Cocamar, em Maringá. Estarão presentes representantes da Conab e da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura.
O setor produtivo aguarda um anúncio durante a reunião, para estimular o mercado, mas o técnico da Conab, em Brasília, Paulo Magno Rabelo, antecipou que os representantes do governo vêm mais para ouvir e discutir os instrumentos de comercialização. ‘‘Qualquer decisão deverá ser anunciada depois da reunião’’, disse.
Preço baixo Apesar de a safra argentina só entrar maciçamente no mercado brasileiro no final do ano, os preços pagos aos produtores já estão abaixo do mínimo. Segundo Flávio Turra, da Ocepar, as ofertas de trigo para o produtor estão variando entre R$ 145,00 e R$ 155,00 a tonelada, abaixo do preço mínimo para o tipo I, superior, que é R$ 157,00 a tonelada. No atacado, o trigo está sendo ofertado a R$ 160,00 a t. Segundo o técnico, a implantação do PEP é fundamental para garantir o pagamento do preço mínimo ao produtor e evitar o desestímulo à cultura.
Turra destacou que este ano a qualidade do trigo na lavoura está excelente, o clima foi favorável durante o desenvolvimento da cultura e agora a preocupação com a queda de preços é grande. Ele defende uma intervenção ágil do governo para evitar prejuízos ao produtor, que investiu em torno de R$ 170,00 por tonelada cultivada. Para ele, o mercado está claro, os moinhos vão continuar esperando por instrumentos de comercialização. ‘‘Se o governo esperar até o final de setembro, para liberar a operação do PEP, o desestímulo será total’’, prevê.

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