Governo deve financiar recuperação de ferrovias
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo federal decidiu financiar a expansão da malha ferroviária nacional. O anúncio foi feito ontem pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, ao explicar que a abertura da linha de crédito faz parte da política de aumento da participação das ferrovias no modal de transporte do País. O diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Bernardo Figueiredo, prevê a necessidade de R$ 15 bilhões para a construção de trechos e a realização de obras em pontos críticos.
Este investimento tem de ser feito hoje para evitar uma crise no transportes de cargas dentro dos próximos três anos, afirmou Figueiredo. Os empresários acreditam que o volume a ser investido deve sair dos cofres do Tesouro Nacional porque a malha ferroviária pertence à União, ou seja, as concessionárias pagam aluguel pelo arrendamento da infra-estrutura. Figueiredo admitiu colocar dinheiro privado nas ferrovias sob condição de o governo permitir a dedução dos recursos neste aluguel da malha ferroviária.
Ferrovias Padilha avaliou que, seis anos após a privatização das malhas que pertenciam à Rede Ferroviária Federal (RFFSA), houve um avanço significativo desta matriz de transporte. O ministro explicou que a participação do governo nestes investimentos foi decidida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e o volume a ser destinado para o setor vai depender do cronograma de obras.
O presidente Fernando Henrique faz questão de deixar claro o interesse pelo setor de ferrovias, assegurou o ministro. Um dos pontos a ser trabalhado, segundo Padilha, são as 10.755 passagens de nível, consideradas pontos críticos. O objetivo será a construção de desvios que evitem que os carros passem sobre os trilhos, fato que contribui para o aumento de acidentes.
O presidente da Comissão Federal de Transportes Ferroviários (Confer), Luís Henrique Teixeira Baldez, informou que nos últimos três anos as concessionárias investiram cerca de R$ 2 bilhões e 70% dos recursos foram destinados à recuperação da infra-estrutura. Neste período, os acidentes nas ferrovias tiveram uma queda de 27%, disse Baldez.
Outro ponto importante é o fato de que o governo deixou de investir US$ 600 milhões a cada ano nas malhas da rede. Por sua vez, a União passou a receber o aluguel equivalente a US$ 150 milhões por ano. O executivo da ANTF informou que as concessionárias vão investir R$ 1,5 bilhão nos próximos três anos para cumprir o cronograma de obras previsto nos contratos de concessão.
A expectativa do governo é de que no caso de a economia crescer entre 4% e 5% ao ano o impacto desta expansão na década seria de 50%. Para as ferrovias conseguirem fazer frente a este crescimento, seria necessário um aumento superior a 50%.


