Brasília - O governo pode economizar, nos próximos 12 meses, R$ 5,18 bilhões no serviço da dívida pública com a redução de 1,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, decidida ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Mais da metade da dívida pública mobiliária federal doméstica, de R$ 669,42 bilhões, é remunerada pela taxa Selic.
Segundo dados divulgados ontem pelo BC e pelo Tesouro Nacional, 51,63% da dívida mobiliária, ou R$ 345,59 bilhões, estava atrelada à taxa Selic no fim do mês passado. Esse valor leva em conta o total da dívida com as operações de swap, derivativos que são negociados em pacotes com títulos remunerados pela taxa básica de juros.
O impacto da Selic sobre o tamanho da dívida pública é ainda maior que o da variação cambial. No fim de junho, a dívida mobiliária doméstica atrelada ao câmbio representava 29,05% do total, ou R$ 194,49 bilhões. Só no auge da crise de confiança do ano passado, quando investidores exigiam proteção cambial num mercado extremamente volátil e ainda desconfiavam da capacidade do governo de continuar a honrar seus papéis no longo prazo, a dívida atrelada ao câmbio se aproximou do porcentual vinculado à Selic.
Em setembro de 2002, quando a dívida remunerada pelo câmbio chegou ao pico do ano, 40,67%, a parcela remunerada pela Selic estava em 41,27% do valor total dos papéis domésticos. Além da Selic e do câmbio, há parte da dívida mobiliária remunerada por juros prefixados (4,48%), por índices de preços (12,83%) e pela Taxa Referencial (2,01%).

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