Governo deve desonerar produção em agosto
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sexta-feira, 30 de julho de 2004
Ana Paula Ribeiro<br> Agência Folha 
São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que o pacote de desoneração da produção será anunciado na segunda quinzena de agosto e que essas medidas trarão ''efeitos positivos na produção brasileira no curtíssimo prazo''.
No entanto, o ministro não adiantou quais serão os setores beneficiados. Segundo Furlan, o pacote de desoneração ainda está em fase de análise e o governo irá ''olhar os projetos verificando o valor de impostos que o governo abre mão''.
Sobre os bens de capital, o ministro disse que a desoneração deverá ser feita nos produtos que não foram atingidos na primeira fase. Isso deve acontecer para que o processo de zerar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ocorra de forma assimétrica.
Esse novo grupo de bens de capital irá entrar no regime ''que já está comprometido de em mais duas etapas zerar o IPI dos bens de capital''. Segundo o ministro, serão feitas mais duas reduções da alíquota para que, em 2006, esses produtos não paguem mais esse tributo.
Em janeiro, o governo anunciou a redução da alíquota de IPI para 648 tipos de máquina e equipamento industrial. Para quase todos (643), o imposto caiu de 5% para 3,5%. Para os outros cinco, o IPI saiu de 12% para 8%.
Crescimento - O ministro participou ontem de um almoço do Conselho Empresarial Brasil-China. Durante o evento, Furlan disse que ''certamente vamos passar dos 4% (de crescimento econômico em 2004)'' e o desafio é a sustentabilidade para 2005 e 2006.
Na avaliação do ministro, no curto prazo os gargalos produtivos não atrapalham o crescimento econômico, mas são necessários mais investimentos com a retomada da demanda. No entanto, Furlan não quis comentar os efeitos que uma elevação da taxa de juros pode causar na retomada de crescimento. Na quinta-feira, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acenou com uma elevação da taxa básica de juros caso fosse necessário para manter a inflação dentro da meta. A meta, medida pelo IPCA, é de 5,5% para esse ano, com variação de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Sobre a relação Brasil-China, o ministro disse que superado o caso da soja, os dois países buscam uma parceria sustentável: ''Há interesses chineses já confirmados na área de infra-estrutura''. Esses investimentos, em especial na área de ferrovias, visam a melhoria da logística no País. Para Furlan, o gargalho nessa área pode atrapalhar a competitividade brasileira, principalmente no escoamento das commodities.
''Há concretas intenções de parcerias para novos investimentos que estimulem a eficiência logística brasileira'', revelou o ministro. Ele lembrou que leva cerca de 60 dias a conclusão de uma operação comercial entre Brasil e China. Nesse período está compreendido todo o processo entre o pedido e a entrega de um produto. ''O Brasil precisa estar mais próximo dos seus clientes.''


