Governo deve anunciar novo regime automotivo
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal pretende anunciar o novo regime automotivo brasileiro nos próximos dias. Ao menos, essa é a previsão do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. As novas medidas devem incluir uma tabela de pontos a ser cumprida pelas montadoras. Com isso, os carros com mais inovação tecnológica terão um IPI menor.
A empresa que cumprir mais quesitos, principalmente a nacionalização de itens, com mais inovação, será mais beneficiada com incentivos, como maior redução de cobrança de IPI. O governo está interessado em atrair, principalmente, empresas asiáticas e o desconto do IPI poderá chegar a 100%.
Hoje, a exigência é que as empresas invistam pelo menos 0,5% da receita em pesquisa e desenvolvimento. Uma das discussões é que esse valor suba para 1%. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento ainda estão discutindo os números.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, disse que, no momento, a única saída que as empresas do setor têm encontrado para competir com os importados é investir em tecnologia. Agora, ele defende que é necessário o governo adotar uma medida bem pontual para o setor para evitar o alto nível de desindustrialização na cadeia automotiva.
Ele disse que as medidas serão bem vindas, mas precisam ser arrojadas e com segurança e não apenas paliativas. Campagnolo defendeu ainda que a política para o setor automotivo seja de médio e longo prazos.
O coordenador de assuntos governamentais e institucionais da Volvo, Alexandre Parker, acredita que as novas medidas podem beneficiar a empresa. ''Vemos a iniciativa do governo de maneira positiva'', disse. Segundo ele, hoje a Volvo tem cerca de 75% de nacionalização dos ônibus e caminhões. Desta forma, ele prevê que as indústrias do setor poderão ter um nível de competitividade maior.
O secretário estadual de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, acredita que o novo regime automotivo pode beneficiar o Paraná, já que o Estado tem o segundo polo automotivo do País. Ele disse que isso poderá ajudar a atrair novos investimentos para o Brasil e para o Paraná. No entanto, ele lembrou que o governo federal vem prometendo estas medidas desde 15 de dezembro do ano passado.
A Renault foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até o fechamento desta edição. A Volkswagen informou que não comentaria o assunto. A Anfavea divulgou através de nota que aguardará a definição e o anúncio do novo regime automotivo para manifestar-se sobre o assunto. (A.B./Com agências)


