Governo deve afinar discurso
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - A garantia dada pelo ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, no dia 2, de que ouvirá todos os segmentos da sociedade sobre a reforma da Previdência soou para alguns analistas do mercado financeiro como um discurso que diverge das afirmações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, por várias ocasiões, tem colocado no topo das prioridades de seu governo a reforma da Previdência, exigindo pressa para a implementação das mudanças. Não é, porém, na visão dos analistas, o que demonstrou ontem em seu discurso o ministro da pasta.
''Vejo uma necessidade de convergência do discurso do Berzoini com o discurso do Lula. O presidente tem falado que a Previdência é a sua prioridade, mas o ministro, publicamente, mostra que não está disposto a fazer isso'', avalia o economista e vice-presidente do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Marcelo Allain.
''Esse negócio de abrir discussão pode levar muito tempo e gerar algum desgaste junto ao mercado financeiro. O ministro da Previdência deveria ter, pelo menos, um esboço com as linhas mestras da transição que pensa em fazer. Ele não tem um projeto, que só deverá sair das discussões'', afirma o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi.
Segundo Allain, o novo governo deveria aproveitar o momento de elevado apoio popular que o presidente Lula tem reunido para mexer de forma mais efetiva nas áreas mais sensíveis da economia, como é o caso da Previdência Social. De acordo com ele, se esta reforma se estender muito para o fim do ano, ficando para 2004 ou 2005, o atual governo sofrerá as mesmas dificuldades enfrentadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


