Brasília - O fim da Embrapa Internacional, determinado na última sexta-feira pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, torna incerto o futuro das pesquisas que a empresa há anos realiza em diversos continentes. Na Embrapa ninguém comenta o assunto e o presidente da empresa, Pedro Arraes, está licenciado desde a última segunda-feira, quando entregou seu pedido de exoneração ao ministro.
A exoneração de Arraes, que é funcionário de carreira da Embrapa, ainda será decidida pela presidente Dilma Rousseff.
Na justificativa para extinguir a nova empresa, criada para captar recursos para investir no Exterior, o ministro argumenta que ''houve descumprimento de preceitos legais e estatutários, por ausência de qualquer ato de autorização emanado, quer dos órgãos próprios de Governo, quer do Conselho de Administração da Embrapa''. A nova empresa fica sediada em Delaware, nos Estados Unidos.
Além de Pedro Arraes, o diretor de relações internacionais da Embrapa, Francisco Basílio Freitas de Souza, que já foi exonerado do cargo, também será responsabilizado por possíveis irregularidades que serão apuradas por uma comissão de sindicância, a ser presidida pelo secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz.
O projeto Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior (Labex), que deu origem à Embrapa Internacional, foi criado em 1998, para fomentar a cooperação científica e tecnológica com outros países. Segundo explicação da Embrapa, por se tratar de laboratório virtual, não dispõe dos mesmos recursos do convencional. As equipes compartilham os meios físicos com instituições parceiras.
Na sexta, o Diário Oficial da União trouxe despacho do ministro Mendes Ribeiro encaminhando à presidente Dilma uma exposição de motivos e decreto de afastamento temporário de Pedro Arraes da presidência da Embrapa.
No mesmo ato, Mendes Ribeiro pede ''acompanhamento, orientação e, se possível, coordenação de todos os atos necessários à desconstituição da empresa Embrapa Internacional''. O ministro também determinou a criação de Comissão de Sindicância para analisar a constituição da Embrapa Internacional, INC., nos Estados Unidos.
Exoneração
No último fim de semana, Arraes pediu exoneração do cargo alegando motivos pessoais. No início da semana, o Ministério da Agricultura informou que o pedido havia sido aceito pelo ministro Mendes Ribeiro. A saída do presidente da Embrapa ocorreu dois meses após ele ter sido reconduzido ao cargo, após um primeiro mandato de três anos. Até a escolha do substituto, a diretora de Administração e Finanças, Vânia Beatriz Rodrigues Castiglioni, ocupará a presidência da Embrapa.

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