Governo desqualifica parecer sobre o porto
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Ricardo Sabbag<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), desqualificou o parecer técnico do engenheiro naval e consultor Geert Prange a respeito do assoreamento e da dragagem do Canal da Galheta do Porto de Paranaguá. Prange foi convidado pelo líder da oposição na casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), para dar um parecer sobre a situação do canal durante uma audiência pública realizada ontem na Assembléia.
Por determinação da Capitania dos Portos, o Canal da Galheta, que dá acesso ao porto, está com o calado (dimensão vertical do navio) limitado a 11,30 metros de profundidade. A limitação, de acordo com Prange, resulta numa diminuição de 8,4 mil toneladas de carga por embarcação no embarque por Paranaguá. O que resultaria num prejuízo de US$ 840 mil aos fretistas, pelo pagamento da área dos navios que não podem ser ocupadas por carga.
''Ele é um consultor que trabalha para empresas de navegação'', disse Romanelli. ''Podemos ver que tem muita gente trabalhando em contrário ao porto''. ''Não podemos pagar um preço superfaturado para os dragueiros'', completou. Segundo informações de Prange, o edital de dragagem lançado pela Appa em dezembro passado previa um pagamento de R$ 7 por metro cúbico de areia dragado. ''Esse preço não paga o serviço'', disse o engenheiro. Prange avaliou entre R$ 10 e R$ 12 o custo médio da dragagem do Canal da Galheta.
Romanelli também discordou da avaliação técnica de Prange que estima em 9 milhões de metros cúbicos de areia o volume a ser dragado com urgência do canal, quando o edital da Appa prevê a dragagem, segundo Romanelli, de 16 milhões de metros cúbicos de areia. De acordo com o engenheiro, o edital prevê outras situações que o tornam pouco atrativo para as empresas de dragagem, como a obrigatoriedade de jogar parte da areia dragada na praia de Matinhos. ''Essa areia é imprestável'', disse. ''Do jeito que está a safra não sai neste ano nem no ano que vem'', afirmou. Romanelli disse que precisa ''avaliar melhor'' a informação sobre os prejuízos com a redução do calado. ''Até agora não há prejuízo. O Porto de Paranaguá é superavitário. Cresceu 17% no ano passado''.
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina disse, através da assessoria de imprensa, que o consultor não teria isenção para falar sobre o assunto por ser prestador de serviços na área.


