Brasília – O governo desistiu de criar uma delegacia na Polícia Federal especializada em delitos contra a ordem econômica para combater o cartel dos combustíveis, conforme foi anunciado anteontem pelo Ministério da Justiça. Segundo o ministro Aloysio Nunes Ferreira, o governo achou melhor aproveitar a estrutura e a capilaridade já existentes na própria PF, que possui delegacias em todas as capitais brasileiras, para fortalecer o combate ao cartel dos postos de gasolina e outros crimes. ‘‘Essa medida será mais efetiva e mais eficaz’’, admitiu o ministro.
O secretário de Direito Econômico, Paulo de Tarso Ribeiro, que está à frente do encaminhamento das denúncias de cartel à Polícia Federal e ao Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), explicou ontem os motivos da mudança de posição do governo. De acordo com ele, a PF ‘‘aconselhou’’ que não se criasse uma nova secretaria, mas que se aproveitasse a estrutura das superintendências já existentes e que estão espalhadas em todo o Brasil.
‘‘Nós consideramos bastante pertinente a ponderação e decidimos que, em vez de criar a delegacia, apenas vamos alterar a denominação da delegacia contra o patrimônio, atendendo à sugestão da PF’’, explicou o secretário.
Para Paulo de Tarso, o nome não importa, mas sim o resultado final, que é o governo ter o maior número de instrumentos possíveis para combater os abusos. O secretário reiterou ainda que o objetivo do governo em encaminhar os casos de cartel à PF é poder agir em duas frentes, aplicando dois tipos de sanção aos infratores: administrativa e penal.

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