Após dois meses de racionamento de energia, o governo ainda não sabe como foi o cumprimento de metas por tipo de consumidor (residencial, industrial, comercial, rural, serviço público e iluminação pública) em junho, primeiro mês do programa.
O ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que coordena o ‘‘ministério do apagão’’, classificou ontem como ‘‘precárias’’ as informações de que o governo dispõe sobre o assunto.
Esses dados mostram que a queda de 38% no consumo de energia residencial ocorreu para quem gasta até 100 kWh/mês, não para todos as residências, como foi publicado ontem a Folha de S.Paulo com base em informação não-oficial do ‘‘ministério do apagão’’.
Os consumidores residenciais que gastam até 100 kWh/mês representam aproximadamente 39% dessa classe. São 12 milhões de consumidores nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Os dados ‘‘precários’’, segundo Parente, foram enviados pelas distribuidoras de energia à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ainda não foram analisados com cuidado. As informações preliminares mostram que todas as classes de consumo teriam racionado além da meta em junho.
Se isso fosse verdade, a redução média de consumo em junho teria ficado acima de 20% nas três regiões. Os dados oficiais do governo, porém, indicam que a redução nesse mês foi de 19% no Sudeste e Centro-Oeste e de 19,7% no Nordeste.
No caso da iluminação pública, classe de consumo que o próprio governo admite que não está cumprindo as metas, os dados ‘‘precários’’ indicam que houve economia de 50% além da que seria necessária.
Pelas informações divulgadas ontem pelo ‘‘ministério do apagão’’, só está havendo descumprimento de metas na região Nordeste. Nessa região, alguns tipos de consumidores industriais, o serviço público, as propriedades rurais, os prédios públicos e a iluminação pública não teriam conseguido cumprir metas.
Como o governo precisa saber quem está cumprindo metas para administrar o racionamento, a expectativa da agência reguladora é que esses números estejam fechados na próxima semana.
Pedro Parente afirmou ainda que os consumidores que reduziram os gastos com energia - situados na faixa de consumo acima de 101 kilowatts/hora (kW/h) por mês - não devem receber o bônus. Parente explicou que somente ganharão os prêmios nas contas de luz elétrica aqueles clientes que gastam menos de 100 kW/h por mês.

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