Governo descarta intervenção na Parmalat
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - Os ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, afirmaram ontem que a prioridade do governo, na crise que envolve a Parmalat, é manter a capacidade produtiva do setor leiteiro e não salvar a companhia.
Durante audiência pública na Comissão Especial da Câmara que investiga o assunto, os ministros afastaram as possibilidades de ajuda financeira ou de intervenção do governo na empresa, que vem sendo pedida por políticos e sindicalistas. Rosseto disse ainda que o governo não avalia a hipótese de editar uma medida provisória antecipando parte dos dispositivos da nova da Lei de Falências para facilitar a recuperação da Parmalat.
Durante a audiência, o ministro da Agricultura disse ser favorável à instalação no Congresso Nacional de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar as operações financeiras da Parmalat no Brasil. ''Talvez seja de extrema ajuda ao governo a criação de uma CPI, como forma de nos ajudar a desvendar, ou limpar, o cenário que cerca a crise da Parmalat'', afirmou.
Rodrigues defendeu o arrendamento com opção de compra das unidades da Parmalat como a forma mais rápida e objetiva para manter a atividade na cadeia produtiva de leite. ''As empresas continuam operando, os produtores continuam oferecendo leite e há garantia de abastecimento, sem que isso represente uma ação do governo para salvar a Parmalat.'' Segundo Rodrigues, o assunto tem sido tratado pela direção da Parmalat com cooperativas e empresas do setor.
O ministro da Agricultura disse que a falta de informações sobre a crise da Parmalat do Brasil é um dos motivos que impede que o governo federal intervenha na empresa. Segundo ele, o governo não tem conhecimento ''do grau e da profundidade'' da crise da empresa. ''O governo não considera adequado intervir numa empresa sem conhecer a realidade da mesma'', disse ele ao deixar a Câmara dos Deputados.
Na audiência, Rossetto disse que documentos contábeis da matriz da Parmalat são de uma fragilidade assustadora. ''O grau de vulgaridade, de fragilidade das fraudes contábeis, é assustador'', afirmou o ministro, que esteve na semana passada na Itália, onde se reuniu com autoridade italianas e com o interventor do governo na empresa, Enrico Bondi.
Rossetto citou, por exemplo, que um título financeiro no valor de US$ 4 milhões, usado pela empresa para conseguir outros financiamento junto a bancos era uma fotocópia fraudada, mas havia sido contabilizado e auditado.
As assinaturas necessárias para requisitar a formação de uma CPI já começaram a ser colhidas pelos deputados que fazem parte da comissão. Para o relator da Comissão Especial, deputado Assis Miguel do Couto (PT-PR), o ''momento político é favorável'' à criação de uma CPI. Ele ressaltou que, em conversa com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), este não impôs obstáculos à criação da CPI.


