Sob controlePrimeiros sinais de recuperação econômica não indicam explosão de consumo, avalia equipe econômica A equipe econômica continua trabalhando com a hipótese de que não será necessária uma intervenção do governo para frear um eventual crescimento desordenado da economia neste início do ano. Ontem, os técnicos do Ministério da Fazenda descartaram, mais uma vez, a adoção de qualquer medida restritiva ao consumo e ao crédito, apostando que os primeiros sinais de recuperação da economia não são suficientes para ditar uma tendência de crescimento acelerado como ocorreu no primeiro trimestre de 1995.
Os técnicos observam que há uma certa dispersão entre os diversos setores, já que a recuperação de vendas ou mesmo elevação dos pedidos de reposição de estoque não é uma regra geral para todos os setores produtivos. ‘‘Existe uma dispersão setorial. Ainda é muito cedo para se falar em freio na economia’’, disse um graduado assessor da secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.


Governo aposta
em um novo
perfil do
consumidor

Ao longo desta semana, o próprio ministro Pedro Malan, em entrevistas à emisores de rádio, mandou um recado claro de que não adotará qualquer medida de restrição ao consumo ou ao crédito ao consumidor. Segundo ele, já é possível observar um comportamento diferente por parte dos consumidores e das instituições financeiras.
Os consumidores, segundo Malan, temendo elevar o nível de endividamento familiar, estão optando por poupar o dinheiro e não financiar a compra de um bem de consumo. Os bancos, por sua vez, mantêm a postura mais seletiva na concessão de crédito. Este comportamento, na avaliação do ministro, resultará em uma ‘‘acomodação natural’’ dos níveis de consumo.
Além disso, os técnicos do Ministério da Fazenda lembram que setores como o de eletroeletrônicos já manifestaram o receio de medidas restritivas porque desde outubro do ano passado enfrentam uma desaceleração das vendas. A avaliação dos assessores parte do princípio de que, embora existam indícios de elevação 15% nos pedidos a setores como de embalagens, a análise deve ser cautelosa.
‘‘Um aumento de 15% no volume de pedidos não quer dizer muita coisa’’, ponderaram. Eles explicaram que um crescimento de encomendas neste patamar é insignificante, já que no primeiro trimestre do ano passado a economia estava desaquecida.

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