Governo descarta choque comercial
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Agência Folha 
Brasília O impacto da crise da Argentina nas relações de comércio com o Brasil já foi absorvido aos poucos e os exportadores brasileiros já foram substituindo a Argentina por outros mercados. A afirmação foi feita ontem pela secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, que não espera nenhum choque de comércio entre os dois países.
''Quem está fazendo comércio exterior está acompanhando o cenário. Isso (o agravamento da crise argentina) não representou nenhuma surpresa para ninguém'', afirmou a secretária.
Segundo ela, as vendas para a Argentina representam hoje 8,8% das exportações brasileiras. Essa participação já atingiu 15% no passado. Apesar da redução nas exportações para o país vizinho, a Argentina, como país isolado, é o segundo maior parceiro brasileiro, perdendo apenas para os Estados Unidos. Com relação às importações, atualmente, do total vendido pela Argentina, 11,2% destina-se ao mercado brasileiro.
''Para o Brasil, interessa muito a recuperação da Argentina, pois além de ser um parceiro comercial importante, é um integrante do Mercosul'', afirmou Lytha. A secretária não quis avaliar os efeitos de uma possível desvalorização do peso na Argentina sobre as relações comerciais com o Brasil.
Bancos abertos Aos poucos o longo feriado bancário argentino chega ao fim. O governo decidiu que a partir de hoje voltará a ser possível realizar compensações de cheques. A medida é recebida com alívio pelas empresas, que estavam com os caixas abarrotados de cheques que não tinham como receber. Mas a operação de compra de dólares continua proibida, como tem sido desde a última sexta-feira. Sem casas de câmbio, os doleiros têm pedido preços muito elevados para vender US$ 1. Ontem, quem queria comprar a moeda norte-americana não o conseguia por menos de 1,47 peso por dólar nas ruas de Buenos Aires. Com a decisão de voltar a funcionar a câmara de compensações, a Bolsa de Valores de Buenos Aires também volta a operar hoje.


