ArquivoEsperançaTentativa dos produtores é conseguir preço mínimo de R$ 24,50/arroba O governo federal fixou as regras para acelerar a comercialização do algodão, adotando o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e Aquisições do Governo Federal (AGF) como mecanismos para garantir o pagamento do preço mínimo ao produtor. O PEP irá vender 10.000 toneladas de algodão em pluma, através de leilão eletrônico para cooperativas, beneficiadoras e indústrias de fiação. O primeiro leilão será dia 14 e espera vender 2.000 t de cada Estado como Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Os prêmios serão definidos na próxima terça-feira.
Além do PEP, o governo federal está alocando entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões para garantir a aquisição de algodão dos pequenos produtores, por meio de AGF. Esses recursos permitem a compra de 400.000 arrobas de pluma, pagando o preço mínimo de R$ 24,50/arroba. Inicialmente foi fixado um limite de compra de 100 arrobas/produtor, que corresponde à produção de 2,5 hectares. Com o limite, o valor liberado dará para atender cerca de 5.000 produtores, calculou Norberto Ortigara, diretor da Secretaria da Agricultura.
A compra através de AGF será restrita ao Paraná e São Paulo, porque são áreas de plantio tradicional onde predominam os pequenos produtores que estão com dificuldades de vender a produção pelo preço mínimo. Além disso, esses produtores foram incentivados a plantar o algodão, recebendo benefícios do governo, e agora, estão recebendo apoio para a comercialização. Ortigara afirmou que os técnicos da Secretaria de Política Agrícola, que estiveram em Curitiba para definir as regras da comercialização, deram a entender que o governo poderá vir a fazer novas liberações de recursos para amparar os pequenos produtores de algodão no momento da comercialização.
O mecanismo do AGF vai garantir o pagamento do preço mínimo, de R$ 7,00 a arroba do algodão em caroço para o tipo 6. Como a maior parte do algodão colhido no Paraná está apresentando problemas com a qualidade, em função das chuvas, o rendimento é menor, e consequentemente o produtor acaba recebendo um preço um pouco inferior ao mínimo.
Para evitar essa distorção ao produtor, Ortigara salientou que o governo está fazendo um ajuste de rendimento para enquadrar também o produto que está com a qualidade um pouco comprometida. ‘‘Normalmente o cálculo que se faz é que a pluma apresenta um rendimento de 35% do algodão em caroço. Com o ajuste, o rendimento pode cair para 32% ou 33%, dando espaço para o preço pago ao produtor chegar próximo ao mínimo’’, explicou Ortigara.
Para o secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, o apoio do governo para a comercialização é resultado de negociação que manteve em Brasília, com o ministro da Fazenda. Ele afirmou que sensibilizou o ministro com o drama criado no Paraná, com a falta de mercado para o algodão. Segundo ele, o governo estadual incentivou 25.000 produtores a plantar algodão no Estado, dando subsídios a fundo perdido de até R$ 106,16 por hectare para os pequenos produtores, até um limite de 6 hectares.
O superintendente da Conab, Eugênio Stefanello, admite que os recursos não são suficientes para comprar a safra no Paraná, mas antecipou que novos recursos estão sendo negociados em Brasília.

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