Brasília - A política industrial do governo Luiz Inácio Lula da Silva será centrada em quatro setores: semicondutores, software, fármacos e medicamentos e bens de capital. As linhas gerais da nova política, aprovada na noite de terça-feira em reunião no Palácio do Planalto, foram divulgadas ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. ''São setores em que o Brasil tem potencial para se projetar como competidor mundial, mas não se projeta hoje'', disse. ''Há grandes oportunidades nessas áreas.''
O documento ''Diretrizes de Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior'', apresentado por Furlan, traz as linhas de atuação do governo de forma genérica. Quatro grupos de trabalho, um para cada setor, detalharão com que instrumentos o governo pretende estimular cada um deles e qual o retorno esperado. Esses grupos serão instalados formalmente no dia 10 de dezembro, após a apresentação do documento aos integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Informalmente, porém, técnicos do governo já estão trabalhando e alguns setores já têm estudos em fase adiantada. Todo o detalhamento terá de ser concluído até 31 de março de 2004.
Segundo Furlan, os objetivos da política industrial são criar condições para o desenvolvimento sustentado, a inovação tecnológica e fomentar a criação de empresas que darão maior competitividade à economia brasileira. Essa política será fundamental para que o governo cumpra sua meta de aumentar as exportações em 10% a 15% ao ano e de expandir o Produto Interno Bruto (PIB) em 3,5% a 5%. Esses dois objetivos estão fixados no Plano Plurianual de Investimentos (PPA).
Furlan fez questão de ressaltar que a política industrial não será feita ''por decreto''. O documento já foi entregue aos integrantes do CDES, que reúne importantes representantes do setor produtivo nacional. A idéia é que empresários participem do trabalho de detalhamento dessas políticas.
As empresas que forem beneficiadas com a política industrial terão de oferecer contrapartidas ao governo, que poderão ser na forma de criação de empregos, inclusão social e desenvolvimento regional, por exemplo. O documento informa que serão fixadas metas, ''com vistas a premiar a eficiência, para que a política não seja entendida como uma benesse.''

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