Brasília O ministro Antônio Palocci (Fazenda) afirmou ontem que o governo não vai corrigir a tabela do Imposto de Renda, apesar da inflação em 2002 ter ultrapassado 12%. O governo Fernando Henrique Cardoso manteve congelada a tabela do IR por sete anos. No ano passado, o PT articulou na oposição o reajuste da tabela, que acabou ficando em 17,5%. Sobre a possibilidade de atualização da tabela nos próximos anos, Palocci foi evasivo: ''O futuro a Deus pertence'', disse.
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou que o governo estava no limite da carga tributária e que não haveria correção da tabela este ano. Rachid afirmou que não há por que corrigir a tabela, pois não existe indexação, segundo reportagem publicada no jornal ''O Globo''.
Já o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, disse ontem que não há posição definitiva do governo sobre o congelamento da tabela e que a decisão dependerá do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o presidente do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais daeita Federal), Paulo Gil, mesmo com a correção aplicada no ano passado, de 17,5%, a tabela ainda apresenta uma defasagem, de aproximadamente 40%, acumulada desde 1996. Somente em 2002 a inflação medida pelo IPCA foi de 12,53%.
O Unafisco vai promover este ano uma nova campanha pela correção da tabela do Imposto de Renda. Amanhã haverá uma reunião com Rachid para discutir o tema, que também será levado a Palocci no início de fevereiro.
''É inadmissível que o governo mantenha essa política adotada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso'', afirmou o presidente do sindicato. ''A correção precisa ser feita todo ano. Sem ela, o salário das pessoas vai sendo confiscado todos os anos'', disse.

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