Governo decide assumir operações portuárias
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) pretende assumir as operações portuárias, numa tentativa de por fim a um ''locaute'' determinado pelos operadores portuários desde a última quinta-feira. A autarquia estava convocando cerca de 630 portuários servidores públicos para se apresentarem para o turno de serviço às 19 horas de ontem. Quem não comparecesse poderia ser demitido por justa causa.
A intenção da superintendência do porto, comandada por Eduardo Requião, irmão do governador Roberto Requião (PMDB), é iniciar as operações no silo público imediatamente, com o reinício do escoamento da safra. Cinco navios estavam atracados à espera para carregar milho, farelo de soja e madeira. Inicialmente a superintendência informou que iria começar a escoar a mercadoria armazenada nos silos do Corredor de Exportação que estavam com capacidade de 1,1 milhão de toneladas lotada de produto.
De acordo com a superintendência, os terminais privados que quisessem operar também poderiam. A Appa não fez menção sobre o que pode acontecer quando toda a carga dos silos for totalmente escoada. Os caminhoneiros parados na fila estão decididos a não descarregar enquanto não forem ressarcidos pelos dias parados.
Com a paralisação do porto, a fila de caminhões já chegou em Curitiba. Conforme a Polícia Rodoviária Federal, a fila atingiu o quilômetro 106 no Contorno Leste, no bairro do Pinheirinho. São aproximadamente sete mil caminhões parados. Os vários sindicatos de categorias usuárias do porto seguiram com a greve. O advogado da Intersindical, entidade que congrega todos os sindicatos, Fabiano Vicente Elias, disse que a iniciativa da superintendência é ''uma bravata''. Segundo ele, mesmo que o porto convoque os servidores públicos não poderá assumir totalmente as operações portuárias porque eles não estão habilitados para serviços especializados, como a operação de shiploaders e arrumação das cargas dentros dos navios.
Além disso, o porto não tem competência legal para fazer o pagamento dos trabalhadores. Os exportadores já pagaram as agências que fazem o pagamento aos trabalhadores. ''Qual trabalhador vai aceitar a convocação sem saber quem vai pagá-lo depois?'', perguntou.
No Sindicato dos Estivadores, o presidente Jamil Amâncio disse que os 1,7 mil trabalhadores seguem paralisados porque não há requisição para trabalho. O governador havia comunicado pela manhã que os estivadores retornariam ao trabalho. ''Como os operadores portuários não vão requisitar o trabalho dos estivadores, não há o que fazer'', disse.
De acordo com Elias, os armadores, donos dos navios, e os operadores portuários que programam as escalas nos navios já estão desviando os navios para outros portos brasileiros para carregar mercadoria, até que o impasse no porto paranaense seja solucionado.
Além das perdas com a falta de movimentação de mercadorias, avaliados em US$ 15 mil por dia, a greve deve provocar prejuízos a longo prazo. O terminal de fertilizantes Fospar, que opera no porto, suspendeu suas atividades desde o início da manhã de ontem, deixando de produzir 1,5 mil toneladas de fertilizantes.
De acordo com o gerente industrial, Luiz Alberto Gomes de Souza, o armazém está lotado e a empresa não tem como retirar a produção para ser armazenada nas regiões de produção. A consequência dessa paralisação é a falta de fertilizantes no período da safra. Segundo Souza, a demanda é maior do que a capacidade de produção, daí a necessidade de iniciar a estocagem neste período de entressafra. O Porto de Paranaguá é o maior porto exportador de grãos do mundo e o segundo maior porto do Brasil.


