Governo debate crise de energia com o FMI
Discretamente o governo se antecipou e iniciou contatos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os impactos do racionamento de energia na economia brasileira. Na última segunda-feira, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, esteve em Washington conversando sobre o assunto com representantes do Fundo, Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O secretário foi fazer uma exposição sobre a situação da economia brasileira diante da crise energética. Bier também esteve na terça-feira em Nova York, onde fez palestra para investidores estrangeiros.
O encontro em Washington foi o primeiro passo para as negociações da missão do FMI que chega ao Brasil entre o final de junho e o início de julho e que deve rever os parâmetros e projeções de indicadores econômicos, previstos na última revisão do acordo, em função do programa de racionamento de energia.
Apesar de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ter afastado, no início desta semana, a possibilidade de prorrogação do acordo com o FMI, que termina em dezembro deste ano, o governo tem se cercado de todo o cuidado sobre o assunto para evitar um desgaste desnecessário antes da hora das negociações. O próprio ministro foi muito cauteloso quando foi indagado sobre se haveria intenção de prorrogar o acordo, respondendo apenas: Que eu saiba, não.
A avaliação é de que qualquer sinalização agora, antes que haja uma definição mais clara do impacto do racionamento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e sobre os demais indicadores econômicos, seria precipitada e de consequências desastrosas. Como o modelo de racionamento é muito flexível e com diversas variáveis, o governo não quer se arriscar a fazer previsões antes de receber resultados mais ap rofundados sobre o funcionamento do plano de racionamento. Não quer que aconteça o mesmo que ocorreu, na época da desvalorização do real, em 1999, quando o próprio governo fez previsões muito mais pessimistas do que os fatos mostraram depois.
Até o final deste mês, porém, o governo terá que divulgar algumas das suas projeções sobre indicadores econômicos. É que pelas regras do sistema de metas de inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) terá que aprovar a meta inflacionária para 2003 e, consequentemente, divulgar as previsões de crescimento que serviram de base para projetar o número. Além disso, em agosto, o governo tem que enviar ao Congresso Nacional o projeto de Lei Orçamentária, que necessariamente terá que conter as projeções atualizadas já com os impactos do racionamento projetados nos parâmetros que servem para balizar as previsões de receitas e despesas. A equipe econômica vem também fazendo um esforço redobrado para mostrar aos investidores internacionais as mudanças no cenário nacional. (AE)





