RIO DE JANEIRO - O governo de Minas vendeu ontem 33% do capital ordinário (com direito a voto) da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), pelo preço mínimo de R$ 1,3 bilhão. O Estado mantém, ainda, o controle acionário, com 51% do capital ordinário. Os restantes 16% são de pequenos investidores em Bolsas de Valores.
O consórcio que comprou um terço da Cemig é liderado pela empresa norte-americana Southern Electric e tem como sócios a AES (também sócia da Light), também dos EUA, e o Banco Opportunity, que representa um grupo de fundos de pensão. Os sócios estrangeiros detêm 90% do que foi vendido.
Segundo o vice-governador de Minas, Walfrido Guia, que participou do leilão na Bolsa de Valores do Rio, no centro, a operação foi feita com sucesso. ‘‘Não foi uma privatização e sim uma desestatização’’. ‘‘O Estado continua a manter o controle da empresa, que continua a operar sob a lei 8.666 (que regula concorrências do setor público)’’, disse.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou a metade do valor do leilão. No acordo para venda de um terço das ações, os compradores têm alguns direitos, como o de escolher 4 dos 11 membros do conselho de administração e 3 dos 8 diretores.
Os novo sócios terão o direito de indicar o vice-presidente e os diretores de materiais e de geração e produção de energia. O Estado indica o presidente e os diretores financeiro, de gestão empresarial, de distribuição e de construção e projetos.
Segundo o vice-presidente do BNDES e responsável pela área de desestatização, José Pio Borges, esse foi o terceiro leilão que mais arrecadou dinheiro vivo para o governo, depois dos leilões da Vale do Rio Doce e da Light. Só foi aceita moeda corrente. Pio Borges disse, ainda, que o programa de desestatização rendeu para o governo, em 1997, R$ 9 bilhões.

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