Governo da Argentina negocia o desbloqueio das rodovias
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Agência Folha 
JUJUY, ARGENTINA - Para reverter o desgaste político gerado pela repressão aos desempregados da província de Jujuy (norte da Argentina, quase na divisa com a Bolívia), o presidente Carlos Menem adotou uma estratégia de negociação. O secretário de Segurança Nacional, Andrés Antonietti, está negociando pessoalmente com os desempregados formas de acabar com o bloqueio de rodovias nacionais - estratégia para forçar medidas de combate ao desemprego.
Na semana passada, forças policiais federais reprimiram com violência desempregados de Libertador San Martin (a 110 km da capital de Jujuy, San Salvador) que bloqueavam uma rodovia, deixando mais de 80 pessoas feridas. No último final de semana, ele esteve na cidade de San Pedro e de Abra Pampa (ambas próximas a San Salvador) para negociar. São cidades pobres, que sofreram com a privatização de estatais e agora sentem o desemprego e a redução de salários provocados pela recessão econômica que atinge o setor açucareiro - principal fonte de emprego da região. Segundo a Secretaria de Assuntos Sociais de San Pedro, 37% dos 60 mil habitantes da cidade estão desempregados.
Estamos aqui para negociar pacificamente. O governo está trabalhando para encontrar uma solução, disse Antonietti a cerca de 200 desempregados de San Pedro, a poucos metros da barreira de fogo - formada por pneus e pedaços de madeira - que corta a rodovia nacional 34. A barreira continua mantida e os veículos que querem seguir para o norte da província precisam fazer um desvio de quase 100 km. Mas os manifestantes concordaram em permitir uma passagem regular, mas reduzida, de carros.
O governo reconhece que há setores desfavorecidos pela situação econômica, mas as estradas não podem ser cortadas, pois a lei precisa ser respeitada. Com a lei, tudo. Sem a lei, nada, disse Antonietti. Está prevista para hoje a chegada do ministro do Trabalho, Armando Caro Figueroa, à província de Jujuy. Ele irá negociar com o governo provincial as medidas que serão adotadas para combater o desemprego. Os desempregados de San Pedro e Abra Pampa reivindicam a criação de 5.000 postos de trabalho, subsídios para os inativos e um programa de aposentadorias incentivadas.


