BRASÍLIA - Até o final deste semestre os exportadores brasileiros passarão a contar com um seguro contra risco comercial, político e extraordinário. O ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, Francisco Dornelles, anunciou ontem a criação da Companhia de Seguro de Crédito à Exportação. Segundo o ministro, a criação da companhia abre caminho para o incremento das exportações brasileiras. ‘‘Estimativa da própria Associação dos Exportadores prevê um aumento de US$ 500 milhões nas exportações, este ano, só por causa da criação da companhia de seguro de crédito’’.
Segundo o presidente do Banco do Brasil, Paulo César Ximenes, a Companhia de Seguro de Crédito à Exportação já nasce pronta. Com capital de R$ 10 milhões, a empresa conta com participação igualitária, de 11%, dos cinco sócios brasileiros: BB Investimentos, Bradesco Seguro, Sul América Seguros, Minas Brasil Seguradora e Bamerindus Seguros. Como sócio internacional, a companhia brasileira conta com a Compagnie Française d‘Assurance pour le Commerce Extérieur (Coface), com 25% do capital. Os restantes 20% que faltam serão alocados a outros bancos e seguradoras brasileiras.
Ximenes explicou que o sócio majoritário, a companhia de seguros francesa, além de entrar com parte do capital e experiência nesse tipo de negócio, oferecerá aos sócios brasileiros um cadastro com 20 milhões de clientes, já avaliados. O Banco do Brasil estima que, pela companhia recém-criada, passarão 12% do volume de exportações brasileiras, ou seja, perto de US$ 7,2 bilhões.
O seguro à exportação cobrirá o risco comercial e o risco político e extraordinário. O risco político, como, por exemplo uma guerra que impeça o importador de arcar com o pagamento ao exportador brasileiro, é 100% bancado pelo Tesouro Nacional. Para cobrir este risco, este ano, o governo está pedindo autorização ao Congresso para um crédito especial no valor de R$ 50 milhões. O limite máximo que o Tesouro bancará, ao longo do tempo, com o risco político, é avaliado em R$ 3 bilhões. Já o risco comercial, bancado pela seguradora, cobre 85% do valor da exportação, com o exportador tendo que arcar com os restantes 15% no caso do importador não honrar o pagamento.
O prêmio do seguro a ser pago pelo exportador brasileiro variará, segundo o Banco do Brasil, entre 0,5 e 1% do valor da operação.

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