Os comerciantes e pequenos industriais ligados à rede de baixa tensão (a mesma que abastece as residências) ganharão bônus em forma de desconto na conta de luz caso consumam menos do que a sua cota estabelecida para o racionamento. O dinheiro para o pagamento do bônus, anunciado somente ontem, virá da tarifa extra cobrada de quem ultrapassar a cota. Nesse caso, será cobrado o preço do MAE (Mercado Atacadista de Energia Elétrica), R$ 684 por MWh, e o consumidor ainda fica sujeito ao corte de energia.
A meta de redução de gasto de energia desses consumidores é de 20%, mas valerá para toda uma categoria, representada por uma entidade de classe. Por exemplo: todas as padarias de São Paulo, representadas pelo seu sindicato, teriam de reduzir globalmente o consumo em 20%. Uma empresa poderá deixar de cumprir a meta ou até aumentar seu consumo, desde que outra gaste menos.
Cada sindicato informará à distribuidora local de energia, antes do fechamento da conta, qual a meta que cada associado deverá cumprir para que toda a categoria reduza seu consumo em 20%. O ‘‘ministério do apagão’’ poderá, no futuro, permitir que entidades de classe diferentes compensem redução no consumo. Ou seja, se as padarias não conseguirem reduzir 20%, essa economia poderia ser compensada pelos açougues.
Os grandes consumidores – ligados à rede de alta tensão e com demanda maior do que 2,5 MW – negociarão compra e venda de energia em um sistema de leilão pela internet.
O governo definiu ontem, depois de duas semanas de negociações com distribuidoras e geradoras de energia, o preço da energia no MAE para o período de racionamento: será de R$ 684 por MWh, que só vale para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. As outras regiões do País ainda terão seus preços fixados.
TarifaO presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, disse que vem fazendo estudos para alterar a estrutura tarifária do setor para encontrar uma relação que reflita a ‘‘estrutura de custos das concessionárias.’’

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