Governo crê na recuperação da soja e café
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sexta-feira, 30 de junho de 2000
Da Redação 
A receita do complexo soja este ano vai chegar US$ 4,1 bilhões, acima dos US$ 3,7 bilhões do ano passado e terá como ponto forte o farelo, já que o óleo enfrenta problemas com a china, princuipal mercado, e o grão vem sendo taxado em vários países. Com relação à retenção do café, em 6 meses o País terá somado cerca de 3 milhões de sacas quantia deve gerar um impacto no mercado capaz de recuperar as quedas ocorridas desde o anúncio do acordo da APPC quase três meses atrásem Londres.
Essas informações foram dadas ontem, em Londrina, pelo diretor de Política Externa do Ministério da Agricultura, Paulo César de Freitas Samico, que representou o ministro Pratini na inauguração da fábrica Freeze Dried da Cia. Cacique.
Com relação ao complexo soja os dados são preliminares mas no caso do café a previsão é contestada por vários setores do comércio. Embora Samico discorde, o sentimento geral é de que o governo demorou muito para anunciar as regras de retenção, ainda confusas. O mercado internacional - que tem no fator confiabilidade uma das variáveis mais impor tante para determinar preços - achou que o Brasil poderia estar blefando.
Samico considera normal a retração do mercado e disse que a partir de agosto o Brasil será o único fornecedor internacional. Apontou alguns fatores que convergem para a reação dos preços.
O presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Carlos Amaral Monteiro, e o presidente do Centro do Comércio do Café Norte do Paraná (CCCNP), Rosalvo Neves, consideram a hipótese demasiado otimista.
Para reter 3 milhões de saca em seis meses, o País teria de exportar, no período, cerca de 15 milhões (retenção é de 20%), Mas a País embarca em média 1,5 milhão de sacas, argumentou um comerciante que presenciou a entrevista de Samico a este jornal.
O presidente da Bolsa, Amaral Monteiro, acha difícil recuperar o espaço perdido: exportação é trabalho árduo; hoje o cliente quer a mercadoria, se o exportador não pode atender a demanda, acaba perdendo o contrato. Tanto Monteiro como Neves se referem à falta de definições das regras de retenção, apontada pelo mercado com responsável pela derrubada de preços.
Apesar de tanta demora, as regras da retenção ainda têm falhas e suscitam dúvidas que deixam o mercado inseguro. O presidente do CCCNP afiram que até pode concordar com a previsão de Samico desde que o governo resolva agilizar saus ações.
O governo está credenciando mais cinco armazéns à rede oficial destinada a estocar o café exportável referente ao programa de retenção, atendendo pedido do setor.
O governo está avaliando a inclusão de mais dois tipos de café - arábica 6/7 e conilon 7/8 - além dos dois já incluidos no programa (arábica tipo 6 e robusta tipo 7). Com os novos armazéns credenciados a rede oficial armazenadora será de 18 estabelecimentos.


