Governo corta IPI de móveis e setor critica prazo curto
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O governo derrubou a zero ontem a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em painéis de madeira, laminados de alta resistência e de PVC, o que beneficiará a indústria moveleira até 30 de setembro. O tributo sobre os materiais varia de 5% a 15%, mas representantes do setor no Paraná acreditam que a redução de custo precisaria ocorrer por período maior para ter reflexo significativo nos preços ao consumidor.
O objetivo com a medida, publicada ontem no Diário Oficial da União, é manter os níveis de emprego e produção nos setores relacionados à indústria moveleira. A renúncia de receitas fiscais do governo é de R$ 116,1 milhões, segundo a Receita Federal, mas o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Silvio Luiz Pinetti, acredita que os 40 dias sem a alíquota sejam poucos para aquecer o setor.
Ele diz que ao menos 90 dias sem IPI, como ocorreu com o tributo cobrado sobre o móvel em lojas, traria resultados consideráveis. ''Pode até refletir no preço final para o consumidor, mas vai depender do repasse do desconto a partir da indústria de chapas de madeira, o que seria sentido mais se (o corte do IPI) fosse até o fim do ano'', conta Pinetti.
Outra possibilidade levantada pelo diretor do Sima seria o governo unir a redução de IPI sobre chapas de madeira e sobre móveis prontos, o que poderia baixar os preços do produto. ''Mas 40, 50 dias realmente é pouco, porque acaba confundindo o consumidor. Quando começa a refletir no preço, o imposto volta ao normal.''
Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e coordenador do Conselho Setorial da Indústria Moveleira, Aurelio Sant'Anna recebeu a medida de braços abertos, mas disse que se trata de um paliativo provisório, que pouco deve interferir. ''É como se tratássemos um câncer com aspirinas'', afirma.
Para ele, o fato de a indústria moveleira criar muitos postos de trabalho deveria ser levado em consideração na hora de definir incentivos. ''Falam em R$ 100 milhões de renúncia fiscal, mas nosso setor produz bilhões (de reais) e emprega muito'', diz Sant'Anna, que afirma ainda que o mesmo investimento que gera um emprego na indústria automotiva criaria dez na moveleira.
O vice-presidente da Fiep lembra que o custo de produção segue alto, o que prejudica o setor na competição contra países exportadores de móveis. Sant'Anna diz que produtos chineses e tailandeses, por exemplo, chegam ao mercado com preços menores e pede investimentos governamentais em novas tecnologias. ''Não dá para ter noção hoje do reflexo desse corte do IPI do governo, mas é óbvio que faria diferença se fosse por mais tempo'', conta, ao revelar estar com ''otimismo moderado''.
Efeito positivo
Tanto Pinetti quanto Sant'Anna acreditam que o anúncio de redução de IPI trará efeito para o consumidor, apesar das cobranças por extensão do prazo para o benefício. ''Algumas lojas vão trabalhar a questão comercialmente, mas o real impacto não deve ser tão grande'', conta o dirigente da Fiep.
O diretor do Sima diz que a expectativa de crescimento do setor em Arapongas é de até 10%, mas corre o risco de ficar em 5% se não houver incentivo prolongado do governo. No ano passado, o valor movimentado foi 9,7% maior.
Segundo o governo, o pedido para redução das alíquotas partiu dos próprios fabricantes, que não foram contemplados pelo primeiro corte no IPI, que incidiu sobre móveis prontos. Pinetti, porém, afirma que o incentivo ao consumo durou mais tempo, já que foi instituído por três meses e foi prorrogado por mais três. O benefício sobre móveis prontos acaba no próximo dia 30.(Com agências)




