O secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, vai se reunir na segunda-feira com representantes das distribuidoras e da revenda de combustíveis para discutir a evolução do mercado depois da liberação dos preços da gasolina e diesel. Estarão presentes no encontro os presidentes do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), João Pedro Gouvêa Vieira, e da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis), Gil Siuffo, além de executivos do setor.
Um dos objetivos da reunião, diz Considera, é mostrar aos empresários as medidas adotadas pelos governos federal e estaduais para contribuir com a queda no preço da gasolina. ‘‘Os Estados estão baixando o ICMS e o governo reduziu sua parte nos tributos’’, destacou o secretário, que acredita que ainda há espaço para que as empresas reduzam seus ganhos. ‘‘As margens estão maiores que as margens de equilíbrio. Vai haver ajuste para baixo em razão da concorrência.’’
Segundo executivos de distribuidoras, o aumento das margens no início do ano foi um ajuste em razão das baixas margens do ano passado, provocadas pelas liminares que vigoravam no setor. Algumas empresas operavam com margens próximas de zero para concorrer com distribuidoras que conseguiam recursos judiciais contra o recolhimento de impostos.
O vice-presidente interino do Sindicom, Alísio Vaz, condenou a ingerência do governo nas margens das companhias. ‘‘É inadmissível que o governo fique discutindo qual a margem adequada para o setor em um ambiente de liberação de preços’’, afirmou. Para ele, o governo deveria focar seus esforços na questão da competição irregular, como cartéis e liminares contra a cobrança de tributos. ‘‘Apontar que margem A, B ou C é boa não existe’’, disse.
Segundo Vaz, a pesquisa do governo que apontou crescimento de até 350% nas margens das grandes empresas na primeira semana de janeiro apresenta distorções, pois, dentre outros motivos, parte das empresas ainda tinha estoques antigos e a questão do ICMS ainda não estava definida. O executivo acredita que na semana seguinte algumas distorções já foram corrigidas e margens absurdas, reduzidas.

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