O Palácio do Planalto considerou exagerada a reação dos empresários do setor industrial, que criticaram duramente o acordo anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a reposição das perdas provocadas pelos planos Verão e Collor nas contas vinculadas dos trabalhadores no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). ‘‘O governo não esperava essa reação’’, disse uma fonte do Palácio, afirmando que o acordo foi mais do que negociado pelo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e não pegou ninguém de surpresa.
‘‘É claro que eles não iriam sair aplaudindo’’, disse o assessor. O governo, no entanto, não contava com a firme disposição do setor industrial de tentar vetar a proposta, unindo-se à CUT na mobilização para evitar o pagamento. Se os empresários mantiverem essa atitude, o governo pode alterar a proposta que ainda nem foi encaminhada ao Congresso Nacional, argumentou uma fonte.
Foi por determinação do presidente da República que a alíquota a ser criada sobre a folha de pagamento caiu para a metade. Conforme a pressão que detectar nos próximos dias, o governo pode muito bem mudar de idéia e elevar a proposta de contribuição para 1%.
O governo considera que o acordo realizado foi o possível e que a conta acabou sendo dividida, com os empresários pagando apenas uma parte. Na questão da multa sobre a demissão, por exemplo, só será prejudicada a empresa que demitir muito. Se as demissões diminuírem, para o governo dá no mesmo. O dinheiro que deixar de entrar via multa, deixará de sair, capitalizando o FGTS.

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