CONTAS NACIONAIS Governo consegue superávit em janeiro Tesouro, Previdência e Banco Central fecham o mês com saldo positivo de R$ 1,45 bilhão. Mercado esperava resultado melhor Agência Estado De São Paulo O governo central, que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou em janeiro superávit primário (diferença entre receitas e despesas sem considerar os gastos com juros da dívida pública) de R$ 1,457 bilhão, o que corresponde a 1,6% do PIB do período. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, o resultado em relação ao PIB é superior em 0,4 ponto porcentual ao do mesmo período de 1999. O número faz parte das metas firmadas com o FMI. ‘‘Inauguramos em janeiro uma série de bons resultados para a política econômica em 2000.’’ Em janeiro, o Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 2,2 bilhões. A Previdência Social e o Banco Central registraram déficits de R$ 725,2 milhões e R$ 43,1 milhões, respectivamente. O superávit foi obtido, em termos nominais, pelo aumento na arrecadação de impostos, que passou de R$ 15,265 bilhões para R$ 18,486 bilhões na comparação entre janeiro de 1999 e de 2000. As despesas também subiram, de R$ 11,326 bilhões em 1999 para R$ 13,512 bilhões neste ano. As receitas do Tesouro em janeiro de 2000 cresceram principalmente por causa das contribuições, disse o secretário. A Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) cresceu R$ 5 bilhões em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado. As despesas com pessoal e encargos sociais cresceram de R$ 3,735 bilhões para R$ 5,379 bilhões na comparação entre janeiro de 1999 e igual período deste ano. O aumento se deu principalmente pela alteração no período de pagamento da folha salarial a partir de janeiro de 1999, mês em que foram registrados apenas 70% dos pagamentos. Em janeiro de 2000, a folha foi paga integralmente. Na comparação com dezembro do ano passado, as despesas caíram pela metade. No fim de 1999, ao constatar que a meta de superávit primário acordada com o FMI havia sido atingida, o governo afrouxou a política de contenção de gastos e o item Outras Despesas registrou R$ 6,345 bilhões. Esse crescimento ocorreu, também, porque os pagamentos do Tesouro tendem a concentrar-se no fim do ano. Em janeiro deste ano, a despesas neste item foram de R$ 3,090 bilhões. Os resultados fiscais do governo central em janeiro ficaram abaixo do esperado, disse o especialista em contas públicas Raul Velloso. Ele estimava um superávit ao redor de R$ 2 bilhões. A diferença, explicou, deveu-se a maiores gastos com pessoal e outras despesas correntes. ‘‘Uma luz amarela clara se acendeu para o governo’’, alertou. Velloso não trabalha com projeções de superávil fiscal para todo o ano, pois entende que os resultados ainda podem ser influenciados por decisões que serão tomadas ao longo de 2000. Entre elas, o aumento do salário mínimo e o novo teto salarial do funcionalismo. O especialista explicou que o superávit fiscal do governo central acertado com o FMI para o primeiro trimestre do ano era de aproximadamente R$ 6 bilhões. Com o resultado positivo de R$ 1,5 bilhão em janeiro, ainda faltam R$ 4,5 bilhões.