Rio de Janeiro - Com a crise financeira internacional forçando acordos de redução de jornada de trabalho e de salário no Brasil, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confirmou ontem o aumento real de 6,39% do salário mínimo, que a partir de amanhã passa de R$ 415 para R$ 465. Segundo Lupi, esse aumento beneficiará 42,1 milhões de trabalhadores, com injeção de cerca de R$ 21 bilhões na economia. ''Essa é uma forte fonte de aquecimento da economia do Brasil e do mercado interno'', disse.
Segundo Lupi, o cálculo de quanto será o efeito do aumento do mínimo no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 ainda não está fechado, mas ele estima que estará em torno de 0,1 ponto porcentual (pp) a 0,2 pp.
O Ministério está estudando a criação de um ''seguro-emprego''. ''É um seguro focado no emprego, não no desemprego, que pretende garantir a empregabilidade'', afirmou Lupi. O ministro não quis detalhar a iniciativa com o argumento de que a fase ainda é de estudos, mas adiantou que o seguro-desemprego permanece. Segundo ele, o seguro para o mercado de trabalho não pode enfocar apenas o desemprego no País.
Montadoras
Lupi continuou a queda de braço com o setor automotivo, já beneficiado pelo governo com redução de impostos. Ele voltou a dizer que não vê razões para demissões no setor e confirmou que o governo está fechando um acordo com revendedores de automóveis usados com o objetivo de aquecer o mercado e evitar demissões. ''O setor automotivo não tem razão para demitir porque está vendendo e bem'', afirmou Lupi.
Ele avalia que a redução do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as vendas de automóveis novos foi suficiente para manter o mercado, em janeiro deste ano, tão aquecido quanto no início do ano passado.
Segundo o ministro, na próxima semana, o governo deverá fechar um acordo que envolverá o Banco do Brasil, junto a revendedores de automóveis usados que, segundo ele, representam 42 mil empresas, geradoras de 600 mil empregos.
Essas medidas que envolvem recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) deverão ajudar aquecer as vendas também no segmento de usados, avalia Lupi.
Acordos
O governo respeitará os acordos que estão sendo negociados entre empresas e trabalhadores, desde que estejam dentro da lei, afirmou o ministro. Indagado, especificamente, sobre os acordos que estão sendo negociados pela Vale, Lupi afirmou: ''acredito que o governo só deve intervir no que é chamado, e não em acordos de trabalhadores e empregadores, mas chamo atenção para o momento que estamos vivendo, e para que as empresas não levem mais infelicidade para os lares brasileiros.''
Lupi ressaltou que ''o ministério do Trabalho não vai homologar o que ferir a legislação''. O ministro foi questionado também sobre a possibilidade de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar novos recursos para as montadoras. ''Sou favorável à tudo que for vinculado à garantia de emprego do trabalhador, mas tem que ter compromisso das partes'', afirmou.
Segundo o ministro, setores ligados ao mercado internacional ''podem ter o agravamento de demissões, mas em outros setores, é puro aproveitamento da situação''.
O ministro admitiu que os dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem mostrar uma nova queda na geração de vagas em relação a igual mês do ano anterior ''mas nada que acompanha o alarmismo de alguns''.

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