Governo condiciona incentivo a carros mais econômicos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O governo federal anunciou ontem que dará incentivos fiscais à indústria automotiva até 2017, desde que as montadoras se comprometam a investir no desenvolvimento de tecnologias e no setor no País. As exigências mais importantes são para o desenvolvimento nacional de veículos que consumam 17,26 km por litro de gasolina ou 11,96 km/l de etanol, a aplicação de recursos em pesquisa no País e o aumento do número de etapas da fabricação localmente.
A medida, que passa a valer em 1º de janeiro de 2013, foi aprovada pelos fabricantes. Com isso, a tendência é a criação de mais empregos especializados no País e com salários maiores, diz o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira.
Com o aumento neste ano do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 30 pontos percentuais, o governo propôs cortar o mesmo valor para indústrias que usarem mais peças nacionais ou do Mercosul. Caso a montadora crie tecnologia para carros mais econômicos ou mais seguros, deve receber mais descontos de até dois pontos percentuais.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, diz que a regulamentação possibilita maior competitividade para o setor no mercado internacional. ''Ao contrário das medidas emergenciais anteriores, que apenas reduziam o IPI para incentivar as vendas de veículos, o regime representa uma política de longo prazo.''
Ele afirma que espera que o modelo seja repetido para outras cadeias produtivas. ''Para o Paraná, que possui o terceiro principal polo automotivo do País, certamente o regime vai trazer benefícios, já que não apenas as montadoras instaladas no Estado como toda a cadeia de fornecedores terá de investir ainda mais para garantir competitividade.''
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, a regulamentação é uma política que deve transformar o País em um grande polo tecnológico. Porém, ele afirmou, em entrevista coletiva na capital paulista, que chegar à eficiência energética será o desafio do setor.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que o regime estimula os investimentos da indústria. ''Queremos que continue aumentando os investimentos e que haja pesquisa e desenvolvimento, com aumento da eficiência energética, e o governo estará dando estímulos.''
Para o consumidor
O dentista Luciano Yamamoto fazia pesquisa de preços ontem, em Londrina, para comprar um carro novo. Como viaja muito, ele disse que busca mais as opções de itens de segurança do que veículos com consumo menor, mas que vê toda medida que interfere no bolso e no meio ambiente como positivas. ''Procuro um carro que tenha airbag e freios ABS, sempre, com um motor intermediário para que não seja muito 'beberrão''', conta.
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirma que a economia de combustível representaria hoje uma redução de R$ 1,150 mil ao ano para donos de veículos, ou 75% do custo médio do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Mesmo assim, ele espera carros mais baratos. ''O regime estimula a concorrência. Ao estimular a concorrência, estão vindo para o Brasil novas indústrias. Isso vai forçar a indústria aqui já estabelecida a reduzir preços'', diz. Ele afirma que todos os carros terão airbag no Brasil em 2013. (Com Agências)



