Brasília O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, reiterou ontem ao secretário-adjunto dos Estados Unidos para a América Latina, Otto Reich, que o Brasil é receptivo à proposta de formação da Alca, desde que o comércio agrícola seja incluído no pacote de negociações. ''Não há a menor condição de realizar o acordo da Alca sem uma negociação abrangente'', afirmou o ministro.
Na tentativa de abrir caminhos para a negociação, Pratini propôs a Reich a abertura do mercado norte-americano a dois produtos brasileiros: carne bovina e álcool etanol. ''Esses produtos refletam as prioridades da agricultura brasileira em relação aos Estados Unidos'', disse. De acordo com ele, Otto Reich anotou os pedidos e disse que eles merecem uma avaliação pelo governo norte-americano.
A abertura dos Estados Unidos para a carne bovina depende de questões sanitárias, e o processo de certificação de sanidade está em curso. ''Hoje exportamos US$ 90 milhões por ano em carne bovina industrializada para os EUA, e sem as barreiras esse volume poderia triplicar'', disse.
Quanto ao álcool, Pratini disse que se os EUA quiserem comprar 1 bilhão de litros por ano, a indústria tem condições de fornecimento. ''No álcool, a barreira é a forte proteção dos EUA à sua própria produção de etanol, a base de milho. Mas eles têm um crescente interesse em misturar álcool à gasolina, com potencial de demanda gigantesco.''
Decisão política De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério, os EUA taxam o álcool brasileiro em US$ 0,14 por litro. Pratini falou ainda que os processos preparados pelo Brasil contra a política de subsídios agrícolas dos EUA, especificamente em relação à soja e ao algodão, estão prontos e aprovados do ponto de vista técnico. ''A decisão sobre quando dar entrada com as queixas na OMC tem caráter político, e cabe ao Itamaraty'', disse.''
Reich afirmou que os EUA vão honrar os compromissos assumidos na rodada de negociações da OMC em Doha, no Qatar. ''Acredito que no ano que vem teremos muita negociação, porque neste segundo semestre temos eleições na Europa, nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Mas os interesses do Brasil serão defendidos por qualquer governo, em qualquer tempo'', disse Pratini.

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