Arquivo FolhaQuestão de método?O economista do Dieese, Cid Cordeiro, quer uma reunião com o governador para saber se o fim da pesquisa sobre desemprego tem cunho políticoO Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) comunicou ao Dieese que está cancelada a pesquisa mensal que mede o nível de emprego na Região Metropolitana de Curitiba. O governo do Estado alegou que a metodologia usada pelo Dieese para aplicar a pesquisa apresentava falhas estruturais. Desde que os índices de desemprego começaram a aumentar mês a mês, o governo cogitava a suspensão dos resultados. Os municípios da Região Metropolitana têm 14,7% de trabalhadores sem emprego.
A última taxa de desemprego divulgada traz números relativos a agosto. A pesquisa mostrou que havia 155 mil desempregados, os maiores números desde que o levantamento iniciou, em dezembro de 1994. No primeiro mês da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), 9,4% da população economicamente ativa não tinha qualquer tipo de ocupação, o que totalizava 92 mil desempregados.
Com o crescimento progressivo nas taxas, o governo pediu que o Ipardes não tornasse mais público os números. A diretoria do Ipardes tentou convencer o Dieese a divulgar parcialmente os resultados, proposta que foi recusada. Em seguida, o Ipardes tentou impor o direito exclusivo de divulgação dos dados que achasse conveniente.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que o departamento intersindical não concordou com a proposta. ‘‘O Dieese em São Paulo não aceitou as exigências do Ipardes’’, informou Cordeiro. Além de Curitiba, a PED é feita em cinco capitais brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre) e no Distrito Federal. Belém fechou um convênio estadual e começará a fazer a pesquisa.
O diretor-presidente do Ipardes, Paulo Mello Garcias, disse que o rompimento aconteceu porque o Dieese se tornou ‘‘inflexível’’. ‘‘Houve divergência entre o Ipardes e o Dieese na metodologia usada, e o Dieese não concordou em mudar’’, afirmou Garcias. Ele negou que o aumento da taxa de desemprego foi determinante para suspender o trabalho.
Garcias disse que o fim da PED não representa o término dos levantamentos sobre o nível de emprego na Região Metropolitana. ‘‘Vamos elaborar nossa própria metodologia e dentro de quatro meses poderemos ter uma nova pesquisa’’, afirmou. O Ipardes poderá se associar com o IBGE ou com outros órgãos públicos. Se o convênio não se viabilizar, o Ipardes fará a pesquisa sozinho.
O Dieese pediu uma audiência com o governador Jaime Lerner para tentar reverter o fim da pesquisa. ‘‘Queremos saber se o governador está de pleno acordo com a decisão do Ipardes’’, afirmou Cordeiro. A pesquisa tem um custo de R$ 2 milhões anuais. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) financia R$ 750 mil. O Dieese alega não ter recursos para manter a pesquisa e por isso poderá procurar outro instituto para se associar.

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