Governo busca recursos para sanear o Banestado
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Curitiba 
Arquivo FolhaNecessidade de
sanear vem de
outros governos,
diz LernerO governo do Estado começa a mobilizar os acionistas do Banestado para levantar recursos financeiros para o saneamento da instituição. A proposta do banco é fazer com que os acionistas injetem dinheiro no banco através da subscrição de ações. Caso não consiga o montante exigido pelo Banco Central, que é de R$ 1,7 bilhão, o governo terá que colocar os ativos da Copel no Banestado. As regras foram apresentadas pela equipe econômica do governo e aprovadas na última sexta-feira pelo Banco Central.
O Banco Central quer saber, agora, se o Banestado terá condições de colocar em prática a proposta de saneamento. Uma equipe técnica do BC ficará durante uma semana na sede do banco, em Curitiba, levantando a situação da instituição. O Banestado e os bancos dos Estados de Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Sul foram os únicos que conseguiram aprovar o plano de reestruturação sem o compromisso de privatização.
A proposta paranaense determina que haja um aporte inicial de R$ 580 milhões no banco. Parte deste dinheiro vem do Banco Central através do Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro Estadual (Proes). O Banco Central tinha exigido que os Estados fizessem a privatização das instituições, mas a sugestão paranaense de passar o controle do Banestado para um Fundo de Pensão foi recusada.
O governo do Estado é acionista majoritário do Banestado, detendo 61% das ações ordinárias e 28% das preferenciais. A solução que propusemos era mais para a socialização do banco, pois usaríamos o Fundo de Pensão, afirmou ontem o governador Jaime Lerner.
Lerner ressaltou que a necessidade de sanear as contas do banco vem desde os governos anteriores. Nós assumimos o banco tomando recursos no mercado que totalizavam R$ 600 milhões por dia, revelou.
Da dívida total de R$ 1,7 bilhão, R$ 570 milhões se referem ao processo de liquidação do Badep (Banco de Desenvolvimento do Paraná), cujo passivo será transferido para o Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE). Cerca de R$ 270 milhões de dívidas junto à Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil serão transferidos para o Tesouro do Estado. Outros R$ 330 milhões serão repassados pelo governo federal como compensação pelas antecipações dos recursos do Proagro e FCVS. O restante da dívida, que são R$ 420 milhões, será convertido em papéis federais.


