Governo busca investimentos para o País
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - Longe do Brasil no dia da votação do salário mínimo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia amanhã uma maratona de dois dias em Nova York, à frente de uma comitiva de nove ministros, com o objetivo de atrair investimentos para o País.
Em seminário promovido pelo governo brasileiro no elegante hotel Waldorf Astoria, Lula falará para uma platéia de aproximadamente 450 empresários dos Estados Unidos, México e Venezuela. Quer acabar com temores que considera fruto de desinformação, garantindo que a economia já mostra sinais consistentes de crescimento. Mas não é só: na quinta-feira, o presidente será o principal orador da reunião do Global Compact, na Organização das Nações Unidas (ONU). No discurso, enfatizará a importância de atrair recursos de empresas com ''responsabilidade social''.
Nos últimos tempos, o Brasil tem assistido a uma onda de ''desinvestimento'', motivada principalmente pela insegurança de companhias internacionais em relação ao mercado. Empresários não escondem que a indefinição nos marcos regulatórios em áreas essenciais, como a de infra-estrutura, preocupam e muitas vezes afugentam os investidores, apreensivos com a falta de regras.
Mas tempos melhores parecem estar próximos. Ouvindo 500 executivos de vários países, o relatório ''Perspectivas de Investimentos Mundiais'', do Economist Intelligence Unit, indica que Brasil e México continuarão a ser os países estrangeiros mais beneficiados neste ano. A previsão é de que o Brasil receba US$ 13 bilhões em 2004. No ano passado, foram US$ 10,1 bilhões. Já houve épocas, porém, em que os investimentos americanos no Brasil chegaram a US$ 39 bilhões por ano.
Amanhã, Lula participará do chamado ''Encontro de Alto Nível com Investidores''. Sua intenção é explicar que as condições de investimento são as mais favoráveis dos últimos anos. O presidente falará sobre a recuperação do nível de atividade econômica e sobre a agenda de desenvolvimento, que prevê a expansão e melhoria da infra-estrutura, fatores considerados essenciais para a retomada do crescimento econômico. Com muitos dados em mãos, os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Guido Mantega (Planejamento) farão exposições no seminário.
Envolvido numa disputa de poder com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, também acompanhará Lula na viagem. O presidente o convidou para prestigiá-lo num momento em que a fogueira de vaidades contamina a articulação política do governo. Dirceu, porém, não tem nenhum tête-à-tête previsto com investidores. A comitiva também é integrada pelos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Dilma Rousseff (Minas e Energia), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Walfrido Mares Guia (Turismo). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também faz parte do grupo.


